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Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora
Comissão Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano
Comissão Especial para a Ecologia Integral e Mineração

“Nem tudo está perdido, porque os seres humanos, capazes de tocar o fundo da degradação, podem também superar-se, voltar a escolher o bem e regenerar-se”.

 

Vivenciamos, no país inteiro, um sentimento de angústia, compaixão, solidariedade e impotência, acompanhando dia após dia a terrível tragédia que afeta as pessoas e todas as outras vidas, no Rio Grande do Sul.
À dor pela perda de amigos e parentes e pela devastação de casas e territórios, soma-se a insegurança sobre o presente e o futuro, além do desafio enorme da reconstrução e da prevenção de novos impactos.
Mas tudo o que está acontecendo não é fruto do acaso, e sim consequência direta de escolhas políticas e opções econômicas, ao nível local, nacional e mundial, bem como do modelo de sociedade que escolhemos e ainda não conseguimos transformar. Uma nota recente da Comissão para Ecologia Integral e Mineração da CNBB aprofunda esta análise; uma live que  realizada no dia 28 de maio, por esta Comissão e pela Comissão para a Ação Sociotransformadora escutou vozes das comunidades impactadas para refletir sobre o tema.
O negacionismo climático continua determinando as decisões políticas, mesmo se de forma mais sutil: não se nega nem se esconde a gravidade da crise, mas as prioridades e as decisões tomadas são incoerentes ou insuficientes, respondendo a perspectivas eleitorais de curto prazo e aos interesses econômicos do grande capital.
Por isso é tão importante, hoje, a educação ambiental. Uma educação ambiental que dialogue com o fazer político e que provoque compromissos efetivos para o bem comum.
Foi neste espírito que, em 2022, a Presidência da CNBB apresentou uma proposta de alteração da Política Nacional de Educação Ambiental. O objetivo era “enfatizar o compromisso pela conservação dos ecossistemas naturais e de todos os seres vivos, bem como o controle da poluição e da degradação dos bens naturais, que são dons de Deus e obras da Criação”. 
A Lei do Junho Verde – Naquele mesmo ano, foi sancionada a Lei 14.393/2022, conhecida como Lei do Junho Verde, instituindo a celebração deste mês temático, durante o qual sugere aprofundar este debate e criar novas iniciativas de educação e compromisso ambiental.  
A Lei estimula iniciativas do poder público em parceria com escolas, universidades, empresas públicas e privadas, igrejas, comércio, entidades da sociedade civil, comunidades tradicionais e populações indígenas, etc. 
Papa Francisco ensina, na encíclica Laudato Si’, que “a educação ambiental (…) agora tende a incluir uma crítica dos «mitos» da modernidade, baseados na razão instrumental (individualismo, progresso ilimitado, concorrência, consumismo, mercado sem regras) e tende também a recuperar os distintos níveis de equilíbrio ecológico: o interior consigo mesmo, o solidário com os outros, o natural com todos os seres vivos, o espiritual com Deus” (LS 210).
Diálogo entre fé e política – É evidente a importância de um diálogo entre as diversas formas de fé e a política, oferecendo uma compreensão da realidade e do ser humano que transcenda interesses individualistas, ou a defesa dos privilégios de poucos, e defenda e promova uma relação de cuidado com a Casa Comum.
O mês de junho deste ano precede o tempo das campanhas eleitorais e das eleições municipais: será um tempo propício para provocar debates políticos aprofundados sobre os projetos de governo e a gestão dos territórios, à luz da crise ambiental e das lições que a história recente está nos dando.
A Igreja Católica coloca-se à disposição dos poderes executivo e legislativo em âmbito municipal, estadual e federal, sugerindo possibilidades de colaboração e visibilidade das boas práticas e solicitando a estes poderes compromisso e ações efetivas na defesa e promoção da Ecologia Integral. 
Uma oportunidade interessante seria a realização de audiências públicas nos municípios, sobre as políticas ambientais de preservação, prevenção e mitigação dos impactos ambientais, inspirando assim o processo eleitoral e os planos de governo de quem será eleito.
Exatamente porque nos encontramos numa situação crítica, precisamos buscar com criatividade e ousadia novas formas de relação na Casa Comum, novos modelos de sociedade, economia e Bem Viver.
Que o Junho Verde proporcione uma escuta atenta e consciente da realidade e das experiências inspiradoras que já existem em diversos contextos e precisam ser multiplicadas e apoiadas!
“Nem tudo está perdido, porque os seres humanos, capazes de tocar o fundo da degradação, podem também superar-se, voltar a escolher o bem e regenerar-se, para além de qualquer condicionalismo psicológico e social que lhes seja imposto” (Papa Francisco, LS 205).

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