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*Nações Unidas| ONUNews

 

 

 

Assembleia Ambiental da Juventude culminou em declaração com pedidos que serão encaminhados aos líderes mundiais reunidos na Unea-6, principal órgão decisor sobre o tema; ativista brasileira Amanda de Souza comenta principais expectativas e defende participação mais diversificada, envolvendo jovens que sofrem maior impacto das mudanças climáticas. Jovens de todo o planeta se uniram para pedir mais participação na governança global de questões ambientais. O apelo é dirigido aos líderes mundiais que se reúnem em Nairobi, Quênia, na semana que vem para a sexta Assembleia da ONU do Meio Ambiente, Unea-6.
A Assembleia Ambiental da Juventude, realizada no último fim de semana, consolidou inspirações, ideias e recomendações dos jovens em uma declaração que será usada para influenciar os países durante a Unea-6, o principal órgão mundial de tomada de decisões sobre o meio ambiente.

 

 

 

 

Participação institucionalizada dos jovens
A pesquisadora e ativista brasileira Amanda de Souza, de 21 anos, participou da atividade, que segundo ela foi marcada por um clima de “apreensão”, mas também de muita esperança. Ela destacou o pedido para que a participação dos jovens tenha um caráter permanente e institucional. “A gente tem um documento final com todos os nossos pedidos e o que a gente mais conversou na Assembleia Juvenil e um desses pontos é que a Assembleia Juvenil seja institucionalizada na Unea, que não seja uma coisa pontual e faça parte da estrutura de como a Assembleia é organizada”.
A jovem brasileira afirmou que o pedido tem sido bem recebido por diversos países, inclusive pela presidência da Unea-6, que está sob a responsabilidade do Marrocos. Amanda disse se sentir “muito esperançosa” de que outras demandas da juventude também possam fazer parte da declaração ministerial final do evento.

 

Resoluções que atraem interesse da juventude

 

Sobre as resoluções que mais tem atraído a atenção e motivação dos jovens, Amanda destacou o texto “Ações Multilaterais Eficazes, Inclusivas e Sustentáveis para a Justiça Climática”, apresentada pelo Sri Lanka. “A justiça climática é entender como populações indígenas, negras, mulheres, crianças são desproporcionalmente afetadas pela mudança climática. Então, essa é uma que a gente tem colocado muitos esforços.” Segundo ela, os jovens estão realizando reuniões com a delegação do país para contribuir com a proposta.
Outro texto que cativou os jovens é a proposta de dar direitos legais à natureza, liderada pela Bolívia. Para Amanda, essa resolução é muito interessante, mas também muito desafiadora no âmbito internacional, pois muito países não estão de acordo com o texto.

 

Ativismo para “honrar a família e a comunidade”
Amanda contou que nasceu e foi criada em uma favela, vinda de uma família bastante humilde, mas que sempre “a motivou muito a buscar mudança, a ser uma pessoa que faz um impacto positivo”. A ativista saiu do Brasil com 16 anos, quando recebeu uma bolsa de estudos para o Japão, e hoje faz faculdade em Estados Unidos. Ela diz que seu ativismo ambiental começou ao se deparar com notícias de eventos climáticos extremos que afetaram sua família no Brasil.
“Nesse período que eu passei fora, eu comecei a ver as coisas mudando drasticamente. Membros da minha família perdendo casa por causa de deslizamentos. Minha família passava por situações muito difíceis, com seca ou então com chuvas que completamente destroem a cidade e situações que eu não via na minha infância. E eu via essas situações se agravando muito e essa foi a minha motivação para entrar nessa luta, para entrar no ativismo, como uma maneira de honrar a minha família, a minha comunidade e os meus ancestrais”.
Hoje atuando com pesquisas em áreas como transição energética e direitos dos povos indígenas, Amanda tenta “participar ativamente” de decisões políticas em nível nacional e internacional para “mudar essa situação para as futuras gerações”. A ativista defende que a participação dos jovens, além de ampliada, seja mais diversa, incluindo aqueles que vem de periferias e classes sociais mais baixas como ela, pois são “os mais afetados pela mudança climática e por problemas ambientais no geral”.

 

 

Foto_ Unfccc/Kiara Worth Organizações da sociedade civil exigem reparação pelas perdas e danos causados ​​pelas alterações climáticas

 

Texto publicado originalmente no  site Nações Unidas| Onu News

 

Imagem de capa – Neville Hopwood Ativistas climáticos na COP28 exigem transição de 100% para energia renovável a partir do uso de combustíveis fósseis