Marie Henriqueta Ferreira Cavalcante, uma voz que continuará ecoando em defesa da vida. Foto: acervo pessoal.
Henriqueta foi protagonista na criação da comissão e teve papel central na Campanha da Fraternidade de 2014; nota destaca coragem e legado na defesa de grupos vulneráveis

 

Por Cláudia Pereira | Cepast

 

A Comissão Episcopal Especial de Enfrentamento ao Tráfico Humano (CEETH), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), divulgou, neste domingo (11), uma nota de pesar e solidariedade pelo falecimento de Marie Henriqueta Ferreira Cavalcante. Reconhecida nacionalmente por sua atuação corajosa, Henriqueta foi uma das vozes mais contundentes no combate às violações de direitos fundamentais no país. Ela foi vítima de um acidente de carro no último sábado (10), na rodovia entre Campina Grande e João Pessoa (PB).
Presidente do Instituto de Direitos Humanos Dom José Luis Azcona, Henriqueta dedicou sua trajetória à proteção de crianças, adolescentes e mulheres. Sua militância teve como pilares o enfrentamento ao tráfico de pessoas, ao trabalho escravo e à exploração sexual, atuando diretamente na ponta e na articulação política.
“Henriqueta foi uma mulher extremamente importante para a defesa dos direitos humanos no Brasil. Teve uma atuação corajosa e comprometida, especialmente com as vítimas do tráfico humano, do trabalho escravo e do abuso sexual”, destaca um trecho da nota oficial.
A nota ressalta que a contribuição de Henriqueta foi decisiva para a incidência política junto aos poderes governamentais e para a construção de políticas públicas com participação popular. No âmbito da Igreja Católica, sua dedicação foi precursora: ela protagonizou o Grupo de Trabalho (GT) que deu origem à atual comissão da CNBB e desempenhou papel central na Campanha da Fraternidade de 2014, cujo lema foi “É para a liberdade que Cristo nos libertou”.

 

Junto a Comissão CEETH-CNBB em 2023 durante momento de incidência no MDHC em Brasília. Foto: Cláudia Pereira
Reconhecimento e voz ativa
Em 2023, sua trajetória de dedicação integral à causa foi celebrada com o prêmio “Mulheres Inspiradoras”, iniciativa do Instituto Avon e da plataforma Universa/UOL. Na ocasião, em entrevista à Cepast-CNBB, Henriqueta enfatizou que o reconhecimento servia, sobretudo, para dar visibilidade a crimes que prosperam no silêncio e na invisibilidade das vítimas.
No campo político, mantinha uma postura de cobrança firme e estratégica. “Não é possível trabalhar isoladamente diante deste tipo de crime, que é muito perigoso. É um crime organizado e nós também precisamos de ações organizadas”, afirmava ela, reiterando que o Estado brasileiro deve cumprir as leis e garantir políticas públicas eficazes de proteção aos vulneráveis.
Solidariedade e Continuidade
O corpo de Henriqueta Cavalcante será velado em Belém (PA), na Assembleia Legislativa do Estado do Pará (ALEPA), a partir das 19h de hoje (11). Após as homenagens na capital paraense, o corpo seguirá para o sepultamento em Soure, na Ilha do Marajó (PA), território que foi cenário de sua luta incansável contra a exploração e o tráfico pessoas.
A nota, assinada pela presidência da Comissão CEETH, reforça o papel histórico de Henriqueta como protagonista desde a fundação dos primeiros grupos de enfrentamento ao tráfico de pessoas nos movimentos e serviços pastorais da Igreja. A Comissão manifesta profunda solidariedade aos familiares e amigos, reafirmando que as sementes cultivadas por ela continuarão a alimentar a missão de defesa da vida e da dignidade humana.

Leia a NOTA na íntegra aqui

Henriqueta deixa legado importante e para a luta em defesa dos mais empobrecidos e vítimas da exploração. Foto: Redes Sociais.