Foto: Benedito Roberto Barbosa (Dito)
Ao estudarmos a moradia nos profetas, logo lembramos as milhares de famílias sem teto. É só andar um pouco nos grandes centros urbanos e já nos deparamos com inúmeras famílias acampadas ou amontoadas sob viadutos e pontes. Saindo do centro das cidades para a periferia, vemos enormes favelas, um ajuntamento de malocas sem as mínimas condições dignas de moradia. Além do mais, não são poucas as famílias que gastam mais da metade dos seus ganhos alugando casas que não lhes pertencem. Por outro lado, vemos também o crescimento de “vilas” (que preferem chamar de “Jardim América”, por exemplo), onde a cada dia surgem verdadeiros palácios. Palácios esses construídos exatamente por operários que não moram, mas se escondem em qualquer canto da cidade.
Em nossa prática de leitura da Bíblia, buscamos iluminar a problemática habitacional a partir dos textos bíblicos. Neste artigo nos propomos a analisar  a postura dos profetas em relação à casa e aos palácios. Num primeiro momento, definiremos os termos usados para designar moradia. Depois veremos a posição dos profetas em relação à casa dos opressores, seus palácios e castelos. Em terceiro lugar, buscaremos ver como os profetas atuam em defesa da casa dos oprimidos e, por fim, estudaremos a proposta habitacional dos profetas para os pobres. 
  1. Um pouco de história 

Na história de Israel houve uma evolução no jeito de morar. Durante a formação deste povo, um dos grupos que se integrou às tribos israelitas na Palestina foi o dos pastores seminômades. Esses pastores migrantes habitavam em tendas. Ao se ajuntarem aos camponeses empobrecidos da Palestina e aos trabalhadores forçados que fugiram do Egito, é provável que alguns se tenham sedentarizado, passando a residir em casas. Mas a atividade pastoril continuou durante toda a história de Israel. Assim o percebemos, por exemplo, no livro do profeta Jeremias, capítulo 35, e em Lucas 2,8-18. No período dos juízes (séculos XII-XI a.C.), os israelitas sedentarizados, que praticavam a agricultura, moravam em casas pequenas, com poucos móveis. Alguns moravam em cavernas. 
Nesse período, Israel viveu numa sociedade mais ou menos igualitária e não existia divisão em classes sociais. O estilo de vida era muito modesto, e todas as casas eram simples. Quando, porém, surgiu o reinado (fim do século XI a.C.), iniciado por Saul (1Sm 8ss.) e consolidado por Davi (2Sm 2ss.), a situação mudou. No lugar do modo de produção comunitária/tribal foi introduzido o modo de produção tributário, baseado na opressão da cidade sobre o campo. Na cidade moravam o rei, sua corte, oficiais, exército, sacerdotes, comerciantes. Estes viviam às custas dos camponeses, que moravam em aldeias e pagavam pesados tributos. Surgiu, pois, a divisão em classes. Uma se enriqueceu, empobrecendo a outra. Consequentemente, mudaram também as condições de moradia. Quando Davi conquistou Jerusalém, unificando Judá e Israel, logo o rei de Tiro lhe enviou mensageiros, juntamente com madeiras de cedro, marceneiros e pedreiros, que construíram um palácio para Davi (2Sm 5,11). 
Assim também o rei Salomão, quando consolidou sua realeza, matando ou banindo os seus concorrentes (1Rs 1-2), aumentou a opressão sobre os camponeses, reforçando o  sistema tributário. As primeiras informações que a Bíblia nos dá sobre Salomão, logo que assumiu o poder, mostram que ele reforçou as alianças comerciais internacionais através do casamento com a filha do rei do Egito, construiu um palácio para si, o templo e a muralha ao redor de Jerusalém (1Rs 3,1). O texto de 1Rs 7,1-12 nos dá uma ideia de como era o palácio de Salomão. Com seu filho Roboão, a situação piorou ainda mais para os camponeses (1Rs 12,1-19), que empobreciam cada vez mais. É claro que suas condições de moradia também iam piorando. 
É aí que entraram os profetas, denunciando esta situação. Por um lado, atacavam os opressores da cidade, anunciando o fim dos seus palácios e denunciando o roubo da casa do pobre. Por outro lado, anunciavam um futuro feliz aos camponeses, quando poderiam morar em segurança. 
  1. Palavras para designar “moradia”

Sendo várias as formas de moradia, são também vários os termos usados para designá-las. A seguir, passamos a elencar os principais: 
2.1. TENDA –  Morar numa tenda mais do que numa casa era o que distinguia o nômade do agricultor. A forma da antiga tenda não é descrita na literatura, mas provavelmente não diferia substancialmente da dos atuais beduínos. A cobertura da tenda é tecida em pelos de camelos e de cabras. A tenda familiar comum dos beduínos é retangular. A cobertura é sustentada ao menos por nove estacas. Mas os chefes de família mais ricos e importantes usam mais estacas. O retângulo é formado por três séries de estacas. A porta da tenda é coberta por uma tela, que durante o dia permanece aberta a todos. 
A tenda familiar é dividida por cortinas em ao menos duas salas, uma das quais reservada às mulheres e às crianças. Armar e desarmar a tenda é trabalho das mulheres. O martelo para as estacas da tenda é um utensílio doméstico. Cada estaca é fixada com cordas e pequenas estacas enfiadas na terra em volta. 
Das 345 vezes que a palavra “tenda” aparece no Antigo Testamento, 60% das vezes é usada no sentido cúltico, como “tenda de Javé”, por exemplo.
2.2. CASA – A palavra “casa”, que aparece no Antigo Testamento mais de 2 mil vezes, assume vários sentidos nos textos bíblicos. Aqui vamos nos deter mais no sentido de moradia, trazendo apenas uma explicação rápida dos demais sentidos. 
2.2.1. A palavra “casa” pode significar “o que existe na casa”, isto é, posses, utensílios, criados (Gn 15,2; Ex 20,17). 
2.2.2. “Casa” pode também indicar a comunidade de pessoas que mora na casa: o pai, sua mulher, seus filhos, parentes, dependentes escravos/as. e Neste sentido, pode indicar família (Gn 7,1), clā/tribo (Jr 35,2) ou descendência (Ex 2,1). 
2.2.3. Tratando-se de reis, “casa” significa “casa real”, dinastia (Is 7,2). 2.2.4. No sentido político, refere-se especialmente aos reinos de Judá e Israel (2Sm 2,4; Jr 31,31-34).
2.2.5. Quando o termo “casa” está unido à palavra “Deus/Javé” ou outra divindade, seu sentido é casa de Deus, templo ou palácios (2Sm 5,11). 
2.2.6. Muitas vezes “casa” também é usado para indicar os palácios (2Sm 5,11).
2.2.7. Em seu significado básico, “casa” designa moradia, habitação. A habitação palestina nunca era isolada. Segurança e alguns serviços essenciais, tais como água, podiam ser obtidos somente morando em aglomerados de casas, em cidades e aldeias. Não se conhecem muitos detalhes sobre o tipo de construção de casas na antiga Palestina. As escavações arqueológicas nunca recuperam mais do que fragmentos de paredes com alguns centímetros de altura no máximo, е geralmente pouco mais do que o traçado do chão. O material de construção raramente era madeira, exceto para encaixes de tábuas para assoalho e forro. A estrutura era de pedra ou tijolo de argila, dependendo do material mais facilmente disponível. As ruínas indicam que a habitação comum era uma construção bastante modesta. Deterioração constante, reparos e reformas de casas somam-se às dificuldades para se chegar a uma ideia clara sobre suas estruturas. As casas que de algum modo sobreviveram são as maiores e construídas mais solidamente, que, presume-se, pertenciam famílias a ricas. Alusões literárias lançam alguma luz sobre a estrutura da casa.
A casa era um abrigo dentro do qual a família comia e dormia. Basicamente ela consistia em um único cômodo para todos os fins. O número de quartos adicionais variava segundo as posses da família. O cômodo grande não podia ter mais do que quatro a cinco metros de comprimento, o comprimento usual das vigas, sem colunas, que eram usadas frequentemente. O telhado era pesado. A loja do artesão era parte de sua casa. Pequenos compartimentos para a estocagem de cereais e jarras de água aparecem com frequência nos restos de casas. Quartos de dormir eram encontrados somente nas grandes casas dos ricos. As casas dos pobres não eram melhores do que cabanas. A família israelita, no entanto, era maior do que a família atual, e a casa comum era geralmente uma moradia para várias famílias. Não havia privacidade. Por toda a história arqueológica, a casa comum era construída adjacente um a pátio, às vezes fechado só de um lado, mas mais frequentemente dois de ou três lados. Havia somente uma pequena porta para fora, que abria para o pátio.
As janelas não se preservaram. Elas não possuíam cobertura, exceto um gradeado, mas é improvável que fossem numerosas ou grandes. Talvez, como na  casa do moderno camponês palestino, as janelas fossem sempre tapadas durante o inverno. Consequentemente, a casa era escura. A ausência de muitas janelas e portas era a melhor proteção tanto contra o calor como contra o frio. também era a melhor proteção contra os ladrões, que são mencionados com frequência na Bíblia (Jó 24,16; Mt 6,19). As paredes podiam ser “escavadas” (Ez 12,5ss.), fossem elas de barro, tijolos ou pedra. O chão era de argila, parcialmente revestido com esteiras de palha. As esteiras eram a principal mobília do pobre. Elas serviam para dormir, sentar-se e comer. Os ricos tinham cadeiras, mesas e leitos (Am 6,4-6).
A cozinha, quando existia, achava-se fora do amplo cômodo onde a família comia e descansava. O teto comum consistia de uma grossa camada de argila de alto teor calcário e de palha, sustentados por vigas e pranchas de madeira e uma e rede de galhos. A maior parte do telhado gotejava (Pr 19,13; 27,15a) e tinha que ser consertado depois de cada chuva. Ele podia ser facilmente removido (Mc 2,4). O terraço era acessível por uma escada ou degraus externos. Um parapeito oferecia proteção contra as quedas (Dt 22,4; 2Rs 1,2). Uma tenda protegia o teto do sol. A família podia dormir sobre o teto durante os meses mais quentes (1Sm 9,25). O cômodo superior, citado com frequência na Bíblia (1Rs 17,19), deve ter sido o espaço entre o teto e a tenda. Nas casas mais amplas o cômodo superior era outro pavimento. O cômodo era aberto à brisa em todos os lados, e podia ser refrescante à noite (2Sm 11,2). Amós parece fazer referência ao andar térreo como casa de inverno e ao piso superior como casa de verão (Am 3,15). 
2.3. PALÁCIO – Em hebraico, o mesmo termo pode indicar “templo’, “pátio principal do templo” ou “palácio”. Aqui vamos nos restringir aos textos em que seu sentido é “palácio”. Quando o palácio estava cercado por um forte muro, os hebreus usavam um termo próprio: castelo, casa fortificada. 
Antigamente, palácio/castelo era a residência do rei. Juntamente com o templo, era também o centro da vida cívica. Compreendia grande número de pessoal doméstico administrativo e possuía muitos escravos. 
O palácio/castelo era uma comunidade autônoma com sua guarnição militar, artífices, armazéns. Era o centro administrativo das terras, rebanhos e manadas do palácio/castelo. Como centro administrativo, tinha um grande número de escribas e muitas coleções de registros e arquivos. Era o centro de recepção de pagamentos de taxas e outros impostos e seu tesouro exercia o controle sobre a circulação de ouro e prata e, às vezes, sobre outros metais. Era uma corte de justiça onde os casos eram ouvidos pelo próprio rei ou por juízes reais. No reinado de Salomão, o palácio de Jerusalém foi o principal centro econômico e comercial não só de Jerusalém, mas também de todo o reino.
A arqueologia não nos informa nada acerca da construção do palácio de Salomão. A breve descrição do palácio feita em 1Rs 7,1ss. não fornece informação acerca da disposição dos do vários cômodos mencionados. Estes são: 1) A casa da floresta do Líbano, assim chamada por causa de suas colunas e capiteis de cedro. A função da casa é incerta. 2) A função do vestíbulo de colunas também é incerta. 3) O pórtico do trono era o local de justiça e, sem dúvida, também a sala de audiências. Eram grandes salas públicas. Pode ter havido outras salas semelhantes. Elas eram distintas dos aposentos reais. 4) Foram construídos aposentos separados para a filha do faraó, a mais distinta das esposas de Salomão. A descrição não diz nada sobre os escritórios, lojas e armazéns que também deviam estar incluídos no conjunto do palácio. Por analogia com outros antigos palácios/castelos, essas construções eram dispostas em torno de uma série de pátios. A maioria dos palácios /castelos que têm sido explorados possuía um grande pátio central para o qual abria o portão principal. O acesso às câmaras do Estado e ainda mais aos aposentos reais não era aberto ao público. Todo o conjunto do templo e do palácio/castelo era circundado por um único muro. 
2.4. MORAR – Além das formas substantivas (tenda, casa, palácio, castelo), temos ainda a forma verbal “morar”, “habitar”, “deter-se”. Esse verbo é usado tanto para quem mora em tendas, casas, como também para quem habita em palácios. Para dizer, inclusive, que Javé mora com seu povo, é usado o mesmo verbo. Assim, por exemplo, Javé mora com Israel (Ez 43,7-9), habita no monte Sião (Is 8,18), reside em Jerusalém (Zc 2,14ss) e nas alturas (Is 57,15). 
  1. Os profetas e a moradia dos ricos 

A respeito das habitações dos ricos, os profetas têm muito a dizer. Anunciam o seu fim com palavras muito duras. Para designar a moradia dos opressores, são três os termos mais usados: “palácios”, “castelos” e  “casas”. 
 3.1 Os palácios/castelos/casas dos estrangeiros 
Os profetas não se limitam a criticar os dinastas locais. Eles também denunciam a opressão  e a violência exercidas por outros estados imperialistas, não lhes poupando críticas. 
Amós, o mais antigo profeta literário (760 a.C.), logo no início de seu livro faz uma lista de seis povos, denunciando sua violência: o exército  de Damasco massacra os galaaditas (1,3); os exércitos dos filisteus e dos fenícios praticam a deportação dos vencidos para Edom, provavelmente vendendo-os como escravos (1,6.9); os edomitas perseguem os israelitas à espada (1,11; também Isaías pronuncia ameaças contra os castelos de Edom em 34,13); os soldados do exército amonitas “rasgam o ventre das mulheres grávidas” (1,13) e o exército dos moabitas queima os ossos dos reis vencidos (2,1). 
Devido a essas violências, o profeta  anuncia o fim de seus castelos junto com os reis, juízes, as muralhas da cidade e seus chefes: “mandarei fogo à casa de Hazael, que consumirá os castelos de Ben-Adad” (1,4); “mandarei fogo contra as muralhas de Gaza, que consumirá seus castelos” (1,7), e assim também em 1,10.14 e 2,2. Chama a atenção que Amós não só é pela destruição dos castelos, mas também dos que neles vivem (1,5.8; 2,3). E não fica nisso. anuncia também que as muralhas da cidade serão incendiadas (1,7.10.14). Раra Amós, a causa do sofrimento dos pobres está no sistema das cidades-estados tributárias. 
A partir do século VII a.C., os babilônios vão conquistando hegemonia a política internacional através da violência e de saques sistemáticos. Contra essa violência levantam-se vozes de vários profetas. Entre eles, Isaías e Habacuc. Dentre as ameaças de Isaías destacamos capítulo o 13, que certamente acréscimo é do exílio (587-539 a.С.): “… suas casas serão saqueadas suas e mulheres violentadas” (Is 13,16); “os gatos selvagens ali descansarão, casas as ficarão cheias de corujas…” (Is 13,21); “os chacais uivarão nos seus castelos e os lobos nos palácios de prazer…” (Is 13,22). 
Habacuc também não poupa críticas aos babilônios. Denuncia seus saques, assassinatos e sua violência (Hab 2,8). A Babilônia ajunta ganhos injustos para a sua casa (Hab 2,9), por isso é ameaçada (Hab 2,10ss.). 
Em 587 a.C. Jerusalém é destruída pelos babilônios. Tiro, poderosa cidade comercial, se alegra com a queda da capital de Judá, pois com isso aumenta seu controle sobre o comércio da região. Ezequiel condena essa atitude de Tiro e de seus comerciantes, dedicando não menos que três capítulos à crítica contra Tiro (26-28). Nas ameaças estão incluídos os palácios: “saquearão tua riqueza, pilharão as mercadorias, arrasarão as muralhas, demolirão tuas suntuosas casas…” (26,12). 
3.2. Os “palácios/castelos/casas” de Jerusalém e de Samaria 
Os profetas não são nacionalistas fanáticos, denunciando apenas estrangeiros. Percebem também as injustiças que seus governantes praticam. São inúmeros os textos em que criticam os abusos das classes dirigentes, seja de Judá, no sul, seja de Israel, no norte. 
Samaria, capital de Israel, foi fundada em 880 a.C. pelo rei Amri (1Rs 16,24). Os profetas do século VIII mencionam Samaria muitas vezes e sempre com hostilidade (Is 8,4; 28,1-4; Am 3,9.12; 6,1; 4,1; Os 7,1; 8,5-6; 10,5.7; 14,1; Mq 1,5-7).
Samaria era exclusivamente uma capital real, contendo o palácio e as residências do pessoal do palácio. Ela era propriedade do rei. Muitas são as ameaças dos profetas contra essa cidade. Mas é Amós, profeta do norte, que inclui em suas ameaças também o fim dos palácios. Dirigindo-se aos governantes da Samaria. Amós assim proclama: “Não sabem agir com retidão – oráculo de Javé – os que amontoam opressão e rapina nos castelos. Por isso assim diz o Senhor Javé: Um inimigo cercará o país, arrancará de ti o poder, e os teus castelos serão saqueados. (…) Eu abaterei a casa de inverno com a casa de verão. As casas de marfim serão destruídas e muitas casas desaparecerão – oráculo de Javé.” (3,10-15.) Ainda falando da classe dirigente de Samaria, assim continua o profeta: “deitados em leitos de marfim, estendidos em divãs, eles comem cordeiros do rebanho e novilhos do curral. O Senhor Javé jurou por si mesmo – oráculo de Javé, o Deus Todo-Poderoso. Eu detesto o orgulho de Jacó, odeio seus castelos, entregarei a cidade e o que nela se encontra.” (6,4.8.) Em 8,1-3, texto de difícil interpretação, Amós fala da sua quarta visão. Ele vê numerosos cadáveres atirados pelo chão. Mas nem todos estão mortos, pois “as cantoras do palácio gemerão naquele dia” (8,3a). É provável que esta visão represente uma ameaça contra a capital Samaria, anunciando a morte dos seus habitantes, exceto das cantoras do palácio. Quem são essas cantoras? Provavelmente elas são as servas que cantam para seus senhores. Para Amós elas não morrerão, mas somente os seus opressores que vivem às custas da exploração dos camponeses que lhes “trazem” o produto do seu trabalho (8,1). 
Jerusalém, cidade cananeia dos jebuseus, foi conquistada por Davi (cf. 2Sm 5,6). Foi chamada, por isso, de “Cidade de Davi” e tornou-se a capital do seu reino e depois de Judá. Seus habitantes são principalmente a corte, o pessoal real e a guarda militar. Assim como Samaria, Jerusalém não escapa das ameaças dos profetas. No livro de Amós, num texto que deve ser acréscimo do exílio (587-539 a.C.), temos uma denúncia contra Judá (2,4-5). São denunciados: o desprezo pelo ensino de Javé, a não-observância da lei e as mentiras. E a ameaça é: “mandarei fogo contra Judá, que consumirá os castelos de Jerusalém” (2,5). Já o profeta Isaías ameaça os castelos de Jerusalém por causa das mulheres despreocupadas seu em meio (32,9-14). E arremata: “porque o castelo ficará deserto, a cidade barulhenta, abandonada” (32,14). 
Logo antes da destruição de Jerusalém pelo babilônios, Jeremias anuncia em forma de visão o sítio de Jerusalém pelos exércitos de Nabucodonosor. Entre os danos que os estrangeiros causarão à cidade está a destruição de seus castelos: “levantai-vos, subamos de noite e destruamos seus os castelos” (6,5; cf. 6,12). No mesmo contexto, Ezequiel diz: “Farão uma chacina, pois o país está repleto de assassinatos a e cidade de violência. Trarei as piores nações para tomarem posse de suas casas, porei fim ao orgulho de sua força e os santuários serão profanados.’ (7,23-24.) 
3.3. As “casas” dos opressores 
Nos dois itens anteriores (3.1 e 3.2), os termos usados para designar as moradias dos dirigentes nas capitais, seja as de nações estrangeiras, seja as dos reinos de Judá e Israel, são, com raras exceções, “castelos” “palácios”. e Quando aparece a palavra “casa” (Is 13,16.21; Hab 2,9; Ez 7,24; 26,12; Am 3,15), é no sentido de “palácio”. numa referência clara aos palácios das classes dirigentes nas capitais. Neste item (3.3), propomo-nos analisar os textos em que aparece o termo “casa”, quando nela moram os ricos. Tem, pois, o sentido de “palácio”. Só que os ricos nem sempre são identificados, como também a cidade em que moram. Daqui em diante incluímos também textos em que aparece o verbo “morar”. 
A maioria dos profetas faz uma análise bastante crítica da conjuntura. Percebem que uma das principais causas da situação de pobreza do povo é a cobrança excessiva de tributos. O que é acumulado nas casas dos ricos faz falta na mesa dos empobrecidos. Amós critica os juízes porque oprimem o indigente, cobrando-lhe tributos de trigo. E os ameaça, dizendo-lhes que ficarão sem casa: “Eles que transformam direito o em veneno e lançam por terra a justiça. Eles odeiam quem repreende à porta e detestam quem fala com sinceridade. Por isso: porque oprimis o indigente e lhe cobrais um tributo de trigo, construístes casas de cantaria, mas não as habitareis; plantastes vinhas, mas não bebereis o seu vinho. Pois conheço vossos inúmeros delitos e vossos enormes pecados! Eles hostilizam o justo, aceitam suborno e repelem os pobres à porta.” (5,7.10-12; cf. 6,9-12).
Isaías critica os líderes do povo, porque enchem suas casas com o despojo dos pobres: “Javé se levanta para o processo, está de pé para julgar os povos. Javé entra em julgamento contra os anciãos e príncipes de seu povo: Fostes vós que devorastes a vinha, o despojo dos pobres está em vossa casa. Por que esmagais o meu povo e calçais aos pés o rosto dos pobres? – oráculo de Javé, Deus Todo-Poderoso.” (3,13-15) No mesmo sentido vai o profeta Jeremias: “Sim, há malfeitores em meu povo, eles estão à espreita, como passarinheiros que se agacham, colocam armadilhas para caçar homens. Como uma gaiola cheia de pássaros, assim suas casas estão cheias de rapina. Ultrapassam até mesmo os limites do mal; não respeitam o direito dos órfãos, para que tenham êxito, nem julgam a causa do pobre.” (Jr 5,26-28.).
Também Sofonias critica a violência e o roubo praticados pelo pessoal da corte: “Naquele dia visitarei todos os que saltam por cima da soleira, todos os que enchem a casa de seu soberano com violência com e fraude.” (1,9) Em suas era ameaças, Sofonias não faz rodeios: “Sua riqueza será saqueada, as casas devastadas. Construíram casas, mas não as habitarão, plantaram vinhas, mas não vinho.” (1,13) 
No tempo de Isaías também já há quem acumule casas e terras, violando a justiça: “Ai daqueles que ajuntam casa a casa e aproximam campo a campo, até que não haja mais lugar e habitem sozinhos no meio do país. Aos meus ouvidos chegou o juramento de Javé Todo-Poderoso: muitas casas serão destinadas à desolação, as grandes e boas ficarão sem habitantes.” (5,8-9) 
Para quase todos os reis de Judá se poderiam aplicar estas palavras de Jeremias: “Assim diz Javé: Praticai o direito e a justiça. Livrai o oprimido das mãos do opressor; não oprimais o estrangeiro, o órfão ou a viúva; não violenteis nem derrameis sangue inocente neste lugar. Porque se realmente cumprirdes esta palavra, então entrarão pelas portas desta casa reis que ocupam o trono de Davi, montados em carros e cavalos, eles, seus servos e seu povo. Mas se não escutardes estas palavras, juro por mim mesmo – oráculo de Javé – que esta casa se tornará uma ruína.” (22,3-5) O rei Joaquim (609-598 a.C.) constrói um palácio sem justiça. Por isso é violentamente atacado por Jeremias: “Ai do que constrói sua casa sem justiça e seus aposentos sem direito; que faz seu próximo trabalhar de graça e não lhe paga o salário; que diz: ‘Construirei para mim uma casa espaçosa com vastos aposentos’; que abre janelas, reveste a casa de cedro e a pinta de vermelho. Mas tu, não tens olhos nem coração senão para o lucro, para derramar sangue inocente, para praticar a opressão e a violência. Por isso, assim diz Javé a respeito de Joaquim, filho de Josias, rei de Judá: Não о lamentarão: ‘Ai, meu irmão! Ai, minha irmã!’ Não o lamentarão: ‘Ai, senhor! Ai, majestade!’ Será sepultado como um jumento! Será arrastado e lançado para fora das portas de Jerusalém (Jr 22,13-14.17-19).
 O povo de Israel muitas vezes é infiel a Javé. A idolatria é uma causa importante da introdução da opressão na vida dos pobres, através do modo de produção tributária. Daí porque os profetas vêm  em defesa da verdadeira fé em Javé, fé que exige relações de justiça entre o povo. Comparando a idolatria de Jerusalém com a prostituição, Ezequiel assim se expressa: “Incendiarão casas e infligirão castigos contra ti à vista de numerosas mulheres. Farei cessar tua vida de prostituta já e não darás presentes.” (Ez 16,41; cf. Ez 23,47; Jr 19,13; 32,29).
Depois do exílio, lá pelo ano 521 а.С., o profeta Ageu se preocupa em reorganizar o povo que anda meio desunido: “… minha casa está em ruínas, enquanto vós correis cada um para sua casa” (1,9b). O templo deve servir como espaço onde o povo se reencontre após a catástrofe de 587 e do exílio. Por isso, Ageu anima o povo da roça a trabalhar na reconstrução do templo e critica os ricos, preocupados apenas com o luxo de suas próprias casas: “É para vós tempo de habitar em casas revestidas, enquanto esta casa (templo) está em ruínas?” (1,4)
  1. Os profetas e a moradia dos pobres 

4.1. A defesa da casa dos pobres 
Os profetas não só criticam o luxo dos palácios dos ricos, ameaçando-os. Também denunciam a  tentativa de roubar a casa do oprimido. Os textos que vêm em defesa da casa dos pobres não são tão abundantes quanto os textos de ameaça contra os opressores. Mas são o suficiente para perceber como Javé toma o partido dos mais fracos. Durante o reinado de Acab (874-853 a.C.), atua em Israel o profeta Elias. Sua grande missão é a defesa da fé em Javé, que na prática se traduz na defesa dos camponeses (1Rs 21), no combate às divindades que legitimam a opressão do rei sobre o povo (1Rs 18). Além disso, a atuação de Elias nos mostra como Javé vem em defesa dos mais pobres entre os pobres. Podemos ver isso quando Elias é enviado à viúva de Sarepta. Ela é oprimida por ser mulher, viúva e estrangeira. E é na casa dela que acontece o milagre da partilha do pão e da moradia (1Rs 17,8-24).
No século VIII escuta-se em Miqueias e Isaías o grito dos pobres, denunciando o roubo de suas casas: “Ai daqueles que ajuntam casa a casa e aproximam campo a campo, até que não haja mais lugar e habitem sozinhos no país” (Is 5,8); “Ai dos que planejam a iniquidade e tramam o mal em seus leitos! Ao amanhecer o praticam, porque isto está em seu poder. Cobiçam campos e os roubam, cobiçam casas e as tomam; oprimem o homem e sua casa, o dono e sua herança. Por isso, assim diz Javé: Eis que planejo contra essa gente uma desgraça, da qual não podereis livrar os pescoços, nem podereis caminhar de cabeça erguida, porque este será  um tempo de desgraça!” (Mq 2,1-3) Miqueias e Isaías denunciam o Estado tributário que desintegra o clã camponês. Para eles, a defesa da casa dos camponeses é inseparável da luta pela garantia da terra, da herança. Os profetas visam manter a integridade do clã do povo da roça. 
Nos primeiros anos do exílio babilônico, os exilados têm a esperança de  voltar dentro de pouco tempo. Acham que não é necessário construir casas, pois logo terão que abandoná-las. Então entra em ação o profeta Jeremias, mais realista do que os exilados. Conhecendo bem os babilônios e suas táticas de dominação, Jeremias sabe que o retorno não será tão imediato como se espera. Escreve, então, uma carta, onde, entre outras coisas, recomenda o seguinte: “Construí casas e instalai-vos. Plantai pomares e comei os seus frutos.” (Jr 29,5) Já no livro do III Isaías (56-66), que foi escrito depois do exílio, podemos deduzir que ainda na Babilônia os exilados têm que construir casas para os seus verdugos, uma vez que Isaías anuncia um futuro diferente. Desta vez construirão também e morarão nas casas por eles construídas (cf. Is 65,21-22). 
Há os que moram em palácios. Há os que moram em casas simples. Mas há também os que não moram. São os pobres “sem teto”. No lugar do falso jejum dos ricos (cf. 58,3b-5), o profeta Isaías propõe um jejum agradável a Javé. Entre as práticas desse verdadeiro jejum está o “acolhimento dos pobres sem teto”. Deixemos o profeta falar: “O jejum que eu aprecio é este: solta as algemas injustas, desata as brochas da canga, dá liberdade aos oprimidos e despedaça todo jugo. Reparte o pão com o faminto, acolhe em casa os pobres sem teto. Quando vires um homem sem roupa, veste-o e não te recuses a ajudar o próximo.” (58,6-7)
 4.2. Projeto habitacional dos profetas para os oprimidos 
Há muitos textos messiânicos nos livros dos profetas. Todos eles anunciam a vinda de um libertador e um futuro feliz para o povo. Praticamente todos eles são do exílio e pós-exílio, no momento em que não há mais rei em Judá. Mas já a exílio, a partir da decepção com o reinado, o povo espera por dias melhores, dias em que pudesse de novo morar em segurança, de modo que ninguém o inquiete. A moradia é apenas uma dimensão dessa nova sociedade, no momento apenas sonhada. Mas o futuro um dia será presente. E acreditar num futuro de paz já é um passo importante em busca de sua concretização.
 Logo após a terrível ditadura de Manassés (2Rs 21,1-18), aí pelo ano 630 a.C., o profeta Sofonias já está convicto de que “irá chegar um novo dia”. Depois de denunciar Jerusalém como a cidade rebelde e opressora, seus chefes como leões, seus juízes como lobos, seus profetas como impostores e seus sacerdotes como violadores da lei (3,1-4.11), Sofonias anuncia um futuro feliz aos pobres: “Deixarei em teu seio um povo pobre e humilde, eles procurarão refúgio no nome de Javé: o resto de Israel. Eles já não praticaram a iniquidade, não dirão mentiras,  não se encontrará em sua boca uma língua dolosa. Sim, eles pastarão e habitarão sem que ninguém os inquiete.” (3,12-13).
Durante o reinado de Sedecias (597-587 a.C.), Jeremias faz, entre outros, um oráculo muito significativo. Ele não acredita mais nos reis de Judá. Estes já o decepcionaram tanto! Quase o mataram. Anuncia, então, a vinda de um rei justo. Aí sim, Israel habitará em segurança: “Eis que dias virão – oráculo do Senhor – em que suscitarei a Davi um rebento justo; um rei reinará e administrará no país o direito e a justiça.  Em seus dias, Judá será salvo e Israel habitará em segurança. Este é o nome com que o chamarão: ‘Javé, nossa justiça’.” a’.” (23,5-6). Chama a atenção o nome deste rei justo:  “Javé, NOSSA justiça”. O nome do rei Sedecias significa: “Javé, MINHA justiça”. Há uma mudança do EU E para o NÓS. Só haverá moradia em segurança quando a justiça alcançar a todos.
Durante o exílio, quem assumiu a função de animar os exilados para que não perdessem a esperança foi o profeta Ezequiel, juntamente com II Isaías. Em dois textos, Ezequiel anuncia um futuro de paz e prosperidade: Assim diz Javé Deus: Quando reunir a casa de Israel dentre os povos no meio dos quais foram dispersos, manifestarei neles a minha santidade à vista das nações e eles habitarão na terra que dei ao meu servo Jacó. Nela habitarão em segurança, construirão casas, plantarão vinhas. Viverão em sossego quando eu infligir castigos a todos os vizinhos que os odeiam. Assim saberão que eu sou Javé, seu Deus. (28,25-26) Farei com eles uma aliança de paz, farei desaparecer os animais ferozes nos bosques. Já não servirão de pilhagem para as nações, e os animais do país não tornarão devorá-los. Morarão em segurança sem que ninguém os aterrorize. (34,25.28)
Depois do exílio, os judeus esperam que se concretizem as promessas feitas pelos profetas. Mas a opressão continua, agora sob o Império Persa. E o povo cai num certo desânimo, pois o cumprimento das promessas estava demorando. Surge, então, mais ou menos em 500 a.C., um novo profeta, o III Isaías, que reanima o povo, a fim de que continue acreditando nas promessas. Em Is 32,15-20 e em todo o capítulo 33, apesar de numerosas referências a temas isaiânicos, o estilo e o vocabulário não permitem atribuir os textos ao I Isaías (740-701 a.C.). Os paralelos com os Salmos autorizam ver a neles uma liturgia profética posterior ao exílio. Passemos a palavra a ao profeta: 
Até que do alto o espírito seja derramado sobre nós. Então o deserto se tornará um vergel e o vergel será considerado uma floresta. No deserto habitará o direito, a justiça morará no vergel. O fruto da justiça será a paz, e a obra da justiça será a tranquilidade e segurança para sempre! Meu povo habitará em um lugar de paz, em habitações seguras e lugares tranquilos. Mas a floresta cairá sob a ação do granizo e a cidade será profundamente humilhada. Felizes de vós que podeis semear à beira de qualquer água e deixar soltos o boi e o jumento. (Is 32,15-20) 
Aquele que caminha na justiça e fala o que é reto, que despreza o lucro das extorsões, que impede a sua mão de receber suborno, que tapa o seu ouvido para não ouvir planos de morte e fecha os seus olhos para não ver o mal, este habitará em lugares elevados; fortalezas de rochas serão o seu refúgio, o pão lhe será dado e a água será permanente. (33,15-16) Construirão casas para nelas morar, plantarão vinhas para comer seus frutos. Não acontecerá que um construa e outro more, tampouco um plantará e outro comerá; pois meu povo alcançará a idade das árvores, e meus eleitos consumirão o produto do seu trabalho. (65,21-22) 
Para concluir este ponto, merece uma observação a atitude dos recabitas. Esse clã se nega a morar em casas, mas vive em tendas. Podemos ler sobre eles em 2Rs 10,15-16 e Jr 35. Os recabitas, descendentes de Recab, levam vida nômade, rejeitando morar em casas. Também não praticam a agricultura  e a vinicultura, em protesto contra os malefícios oriundos da sedentarização, especialmente a infidelidade a Javé. O grupo recabita representa uma reação contra a civilização urbana e um apelo à antiga religião do deserto (cf. Os 12,10; 2,16ss). 

Conclusão 

Depois de analisarmos a situação da moradia no antigo Israel e a posição dos profetas diante da questão habitacional, tentemos agora fazer um resumo e tirar algumas conclusões. 
Num primeiro ponto, vimos que o sistema de moradia em Israel não é igual para todos. Os pastores seminômades habitam em tendas, levando uma vida muito rude. Durante o período das tribos (1250-1050 a.C.), os israelitas sedentarizados moram em casas modestas. Ainda não há uma divisão em classes. Mas isso já não acontece mais com o surgimento do reinado. A partir daí, com o enriquecimento da elite citadina e o empobrecimento do povo da roça, mudam as condições de moradia. Por um lado, erguem-se palácios/castelos. Por outro, os camponeses são roubados em suas casas e há, inclusive, os sem-casa.
 No segundo item vimos os termos usados para designar a moradia. São eles: “tenda”, “casa” (que pode assumir vários significados), “palácio”, “castelo” (casa fortificada) e a forma verbal “morar”. Além disso, analisamos as condições de moradia nas tendas, nas casas e nos palácios. 
No terceiro ponto vimos a postura de Javé, através dos profetas, em relação às casas, aos palácios e aos castelos dos opressores, principalmente as classes dirigentes dos impérios da época como também dos estados de Israel e de Judá. Javé se posiciona radicalmente contra as mansões dos ricos, anunciando dias de desgraça e ruína não só para quem nelas mora, mas também para os próprios palácios, que foram construídos com o “sangue” e o suor dos trabalhadores. 
No quarto item vimos que os profetas vêm em defesa da casa do pobre, denunciando aqueles que a roubam e oprimem os que nela residem. Vimos também que os profetas não se limitam a criticar os palácios dos opressores. Eles vão além. Apresentam projetos para os empobrecidos. E seu projeto de moradia está baseado na justiça. Só no dia em que a justiça se efetivar será possível morar em tranquilidade, garantindo, assim, a integridade da família, do clã e da tribo.
Para os profetas, o fim dos palácios é também o fim dos que neles habitam: rei, sua corte, comerciantes, juízes, militares, sacerdotes. Os profetas não apenas anunciam o fim dos casarões, mas também o fim das cidades, onde se encontram os palácios. Os profetas representam a luta dos camponeses, às custas de quem foram construídos castelos.
 Esperamos que essa reflexão possa ser útil a todos os que atuam junto ao povo nos dias atuais, pois, como os profetas do antigo Israel também nós estamos na luta por condições dignas de moradia e de vida. Que a mesma fé que animou os profetas veterotestamentários nos anime na luta pela superação de todas as contradições sociais, em busca de dias em que os pobres “habitem sem que ninguém os inquiete” (Sf 3,13b). 

(Trecho do Palavra na Vida 63 – 1993 – Eu Faço a Cidade e Não Moro)

Livros consultados: 
  1. Bíblia Sagrada. Petrópolis, Ed. Vozes, 1983. 
  2. A Bíblia de Jerusalém. São Paulo, Ed. Paulinas, 1986. 
  3. McKENZIE, John L. Dicionário Bíblico. São Paulo, Ed. Paulinas, 1984. 
  4. JENNI, E. & Westermann, C. Diccionario Teológico Manual del Antiguo Testamento. 

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