Já estamos na metade do primeiro mês do ano e, apesar das expectativas, dos votos e dos sonhos de um tempo novo, a realidade mundial e local parece desmentir os desejos de mudança. Vivemos um cenário marcado pelo caos e pelo frenesim de uma economia de rapina e de morte que, em vez de abrir horizontes de fraternidade, amizade social e paz, continua assentada sobre trilhos de violência, de medição de forças, de ameaças e de uma verdadeira guerra midiática. Concretiza-se, assim, o antigo ditado romano: se queres a paz, prepara a guerra.
É neste contexto que o Papa Leão, recolhendo a herança do Papa Francisco, continua a afirmar — com a gentileza e a mansidão que lhe são características — a urgência de uma paz desarmada e desarmante. Nas suas palavras:
«No nosso tempo, ainda vemos demasiada discórdia, demasiadas feridas causadas pelo ódio, a violência, os preconceitos, o medo do diferente, por um paradigma económico que explora os recursos da Terra e marginaliza os mais pobres. E nós queremos ser, dentro desta massa, um pequeno fermento de unidade, comunhão e fraternidade. Queremos dizer ao mundo, com humildade e alegria: Olhai para Cristo! Aproximai-vos d’Ele! Acolhei a sua Palavra que ilumina e consola! Escutai a sua proposta de amor para vos tornardes a sua única família. No único Cristo somos um. E este é o caminho a percorrer juntos — entre nós, mas também com as Igrejas cristãs irmãs, com aqueles que percorrem outros caminhos religiosos, com quem cultiva a inquietação da busca de Deus, com todas as mulheres e todos os homens de boa vontade — para construirmos um mundo novo onde reine a paz… Esta é a hora do amor! A caridade de Deus, que faz de nós irmãos, é o coração do Evangelho.