A COP 30, realizada em Belém do Pará, não foi apenas mais uma etapa nas negociações internacionais sobre o clima. Ela revelou também algo essencial para o futuro do planeta: o encontro entre povos, culturas e tradições que reconhecem, de diferentes maneiras, a urgência de cuidar da casa comum. Nesse contexto nasceu o Manifesto das Igrejas do Sul Global por Nossa Casa Comum, que lança um apelo claro: caminhar rumo à paz com a criação por meio de uma transição justa para além dos combustíveis fósseis.
Elaborado com a participação de organismos que reúnem os episcopados da África, da América Latina e Caribe, da Ásia, da Europa e da Oceania, o documento expressa uma posição coletiva diante da crise climática. Inspirado pelo magistério de Papa Francisco, especialmente nas encíclicas Laudato Si’ e Laudate Deum, o manifesto parte de um diagnóstico claro: o atual modelo de desenvolvimento está levando o planeta a um ponto crítico.
Por isso, as Igrejas do Sul Global pedem medidas concretas: um compromisso internacional que complemente o Acordo de Paris e estabeleça um caminho real para a eliminação gradual e equitativa dos combustíveis fósseis, promovendo energias renováveis, diversificação econômica e proteção social para trabalhadores e comunidades afetadas.
O manifesto também denuncia as chamadas “falsas soluções”, como o chamado “capitalismo verde”, que muitas vezes apenas mascara a continuidade de práticas extrativistas e predatórias. Ao mesmo tempo, recorda que os países mais ricos possuem uma dívida ecológica com os povos do Sul Global e devem assumir maior responsabilidade no financiamento da transição energética.
Outro ponto decisivo é a crítica ao sistema financeiro internacional, que frequentemente obriga países pobres a destinarem mais recursos ao pagamento de dívidas do que recebem para enfrentar a crise climática. A proposta das Igrejas é clara: converter parte dessas dívidas em investimentos concretos para uma transição energética justa.
Ao final, o manifesto deixa uma mensagem que ultrapassa o debate técnico sobre energia. A crise climática revela os limites de um modelo econômico que gera desigualdade e destruição ambiental. Por isso, não basta apenas mudar a matriz energética.
É necessária uma transformação mais profunda, capaz de promover novos estilos de vida e novas formas de produção, orientadas pelo cuidado com a criação e pela busca do bom viver e do viver bem para todos.

 

Este artigo foi editorial da Rede de Notícias da Amazônia em 17 de março de 2026.

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