Imagem aerea sobre a comunidade de Caraíbas MG - APC

Disponível no YouTube, nova produção da APC relata conflitos agrários no semiárido mineiro e o impacto da expansão do agronegócio sobre o acesso à terra e à água

 

Por Cláudia Pereira | APC

 

O semiárido mineiro é o cenário do documentário “Terra, Água e Resistência – A Esperança dos povos tradicionais do Norte de MG”. A obra retrata a mobilização de comunidades quilombolas, vazanteiras e de pescadores que enfrentam a expansão do agronegócio e a omissão estatal na bacia do Rio São Francisco. O filme complementa e a série Povos da Beira D’Água, que destaca a realidade de cinco comunidades situadas às margens do Velho Chico. A produção é uma realização da Articulação das Pastorais do Campo (APC).
A narrativa destaca que a disputa pela terra no Norte de Minas Gerais é indissociável da disputa pela água. Pesquisadores apontam que a região vive uma contradição: enquanto grandes projetos de mineração e agronegócio consomem volumes massivos de recursos hídricos, comunidades tradicionais lutam pelo acesso aos seus direitos para garantir sua sobrevivência, produção e a preservação da natureza em seus territórios.
A narrativa é estruturada em quatro eixos, a geografia dos conflitos, a violência institucional, os caminhos da luta jurídica e a sabedoria dos povos sobre seus direitos.

 

Imagem das margens do Rio São Francisco – Comunidade de Cabaceiras – MG – APC
Reunindo os povos das comunidades, pesquisadores, geógrafos e representantes do Poder Legislativo e de órgãos federais, o documentário debate a insegurança jurídica e a complexa teia de violência institucional que atinge a região do Norte de MG. Muitas comunidades ocupam terras da União que nunca foram devidamente regularizadas, o que alimenta um ciclo de violência. Esses conflitos históricos não se restringem ao Norte de Minas, mas se estendem por todo o país, afetando povos do campo, das águas e das florestas. Relatos no filme denunciam expulsões mediante o uso de subterfúgios e até incêndios criminosos.
O filme também aborda o conflito entre a criação de parques de proteção integral (onde a presença humana é proibida) e a existência secular de povos que já preservavam esses territórios. São Unidades de Conservação que foram estabelecidas sem a realização de consulta prévia a essas comunidades centenárias.
Através de depoimentos, o documentário dá visibilidade para pauta da Reforma Agrária. Para as lideranças como Luciana, da Comunidade Caraíbas, a identidade quilombola é definida pelo “lidar com a natureza”.

“A visão de uma comunidade tradicional no território é totalmente diferente da visão do Estado ou de um empreendedor. Temos que provar o óbvio sob uma lógica que não é a nossa”, afirma Samuel Leite Caetano, do Centro de Agricultura Alternativa.

O documentário defende que a regularização fundiária e instrumentos como o Termo de Autorização de Uso Sustentável (TAUS), são fundamentais para além de estabilizar conflitos, são caminhos que preserva biomas e garante direitos básicos e uma vida digna para centenas de famílias. O filme encerra reforçando que o modelo de desenvolvimento atual precisa ser revisto para que o Bem Viver e a preservação ambiental prevaleçam sobre o lucro imediato.
O documentário está disponível para o público no canal da Articulação das Pastorais do Campo no YouTube.

 

  • Realização: Articulação das Pastorais do Campo (APC)
  • Direção e Roteiro: Cláudia Pereira e Humberto Capucci
  • Imagens: Cláudia Pereira e João Victor Rodrigues
  • Edição e Finalização: Humberto Capucci
  • Apoio: Misereor
Sobre a Articulação das Pastorais do Campo – A iniciativa é fruto da união de pastorais e organismos da Igreja Católica. Comissão Pastoral da Terra (CPT), Conselho Pastoral dos Pescadores e pescadoras (CPP), Serviço Pastoral do Migrante (SPM), pastoral da Juventude Rural (PJR), Cáritas Brasileira e o Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Juntos, mantêm um compromisso histórico com a defesa  dos povos do compo, das florestas e das águas e o cuidado com a casa comum, o Bem Viver.