Pontífice alerta para o avanço da “escravidão cibernética” e aponta como conflitos armados e desigualdade social tornam mulheres e crianças alvos prioritários de redes criminosas globais

 

Por Vatican News

Mensagem de Leão XIV para o 12º Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas, que será celebrado em 8 de fevereiro. O Papa reitera o apelo para nos unirmos à iniciativa “rumo a um mundo onde a paz não seja meramente a ausência de guerra”, mas seja “desarmada e desarmante” e esteja enraizada no “respeito pela dignidade de todos”. O Papa alerta contra a “escravidão cibernética”, na qual pessoas são aprisionadas em “atividades criminosas, como fraudes on-line e tráfico de drogas”.
Foi divulgada, nesta sexta-feira (06/02), a mensagem do Papa Leão XIV para o 12.ºDia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas que será celebrado no domingo 8 de fevereiro.
A paz começa com a dignidade: um apelo global para acabar com o tráfico de pessoas” é o título da mensagem do Papa Leão XIV. O Pontífice renova “com firmeza o apelo urgente da Igreja para enfrentar e pôr fim a este grave crime contra a humanidade”.
“Este ano, em particular, desejo recordar a saudação do Senhor Ressuscitado: «A paz esteja convosco». Estas palavras são mais do que uma saudação; elas oferecem um caminho para uma humanidade renovada”, escreve o Papa, acrescentando:
A verdadeira paz começa com o reconhecimento e a proteção da dignidade dada por Deus a cada pessoa. No entanto, numa época marcada pela escalada da violência, muitos são tentados a buscar a paz «através das armas, como condição para afirmar o próprio domínio».
“Além disso, em situações de conflito, a perda de vidas humanas é muitas vezes descartada pelos instigadores da guerra como “dano colateral”, sacrificada em nome de interesses políticos ou econômicos”, frisa Leão XIV.
Infelizmente, a mesma lógica de domínio e desrespeito pela vida humana também alimenta o flagelo do tráfico de seres humanos. A instabilidade geopolítica e os conflitos armados criam um terreno fértil para os traficantes explorarem os mais vulneráveis, especialmente as pessoas deslocadas, os migrantes e os refugiados. Dentro deste paradigma falido, as mulheres e as crianças são as mais afetadas por este comércio hediondo. Além disso, o crescente abismo entre ricos e pobres força muitos a viver em circunstâncias precárias, deixando-os suscetíveis às promessas enganosas dos recrutadores.
De acordo com o Papa, “este fenômeno é particularmente perturbador no aumento da chamada “escravidão cibernética”, na qual os indivíduos são atraídos para esquemas fraudulentos e atividades criminosas, como fraude on-line e contrabando de drogas. Nesses casos, a vítima é coagida a assumir o papel de perpetrador, exacerbando as suas feridas espirituais. Estas formas de violência não são incidentes isolados, mas sintomas de uma cultura que se esqueceu de amar como Cristo ama”.
“Perante estes graves desafios”, ressalta ainda Leão XIV, “recorremos à oração e à reflexão. A oração é a “pequena chama” que devemos proteger no meio da tempestade, pois dá-nos força para resistir à indiferença perante a injustiça”.
A reflexão sobre o tema permite-nos identificar os mecanismos ocultos de exploração nos nossos bairros e nos espaços digitais. Em última análise, a violência do tráfico de seres humanos só pode ser superada através de uma visão renovada que considere cada indivíduo como um filho amado de Deus.
O Papa agradece “a todos aqueles que servem como se fossem as mãos de Cristo, indo ao encontro das vítimas do tráfico, incluindo as redes e organizações internacionais”. “Gostaria também de agradecer aos sobreviventes que se tornaram advogados em defesa de outras vítimas. Que o Senhor os abençoe pela sua coragem, fidelidade e compromisso incansável”, sublinha.
Com estes sentimentos, confio quantos comemoram este dia à intercessão de Santa Josefina Bakhita, cuja vida é um poderoso testemunho de esperança no Senhor que a amou até ao fim.
“Juntemo-nos todos na caminhada rumo a um mundo onde a paz não seja apenas a ausência de guerra, mas seja “desarmada e desarmante”, enraizada no pleno respeito pela dignidade de todos”, conclui o Papa.

 

Texto publicado originalmente no site de Vatican News