Por Juce Rocha | Cepast-CNBB
A Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (Cepast-CNBB) realiza, em Brasília (DF), nos dias 19 e 20 de março, o Seminário das Pastorais Sociais. A atividade anual reúne os bispos referenciais de todas as regiões do país e as coordenações nacionais das pastorais sociais.
“São momentos de convivência dos bispos da Comissão, com as coordenações de pastorais e de organismos do povo de Deus, assim também, como com os nossos assessores e assessoras. Este é um momento em que nós, a partir do compromisso com o Evangelho de Jesus Cristo e com a Doutrina Social da Igreja, nos empenhamos para olhar a realidade que nos desafia e nos comprometermos com a justiça, junto aos nossos irmãos e irmãs”, afirma o bispo diocesano de Brejo (MA) e presidente da Cepast-CNBB, dom José Valdeci Santos Mendes.
“O Seminário também quer ter um olhar para as articulações: a articulação da mobilidade humana, das pastorais urbanas, das pastorais do campo e das pastorais do cuidado com a vida, para ver os planejamentos e as ações que podem fazer convergência, assim como aprofundar alguns temas, propor encaminhamentos, sobretudo, na perspectiva da continuidade da mobilização do Projeto Popular; das ações do Projeto Novas Vocações para a Ação Sociotransformadora, em elaboração, com foco nas juventudes para os próximos dois anos; e articular um processo formativo, na perspectiva da Doutrina Social da Igreja”, revela a assessora da Cepast-CNBB, Alessandra Miranda.
Pautas prioritárias
Durante este seminário, a proposta é também abordar os desafios que atravessam a realidade, especialmente das mulheres e pessoas empobrecidas. “A ação pastoral requer de nós coragem para vivenciar a solidariedade para com os empobrecidos e empobrecidas que estão às margens da sociedade, o compromisso real com todas as pessoas que sofrem, ser presença na vida para resgatar a dignidade. Infelizmente, percebemos que ainda impera na sociedade a discriminação, o racismo, o feminicídio, por isso, esses temas também vão pautar nosso Seminário”, completa o bispo.
O assessor da Cepast-CNBB, padre Edinho Thomassim, também reafirma os destaques temáticos que vão nortear as discussões. “Priorizamos pensar sobre dois elementos estruturantes das relações de poder que alicerçam a macroestrutura social, que são as dimensões do racismo e do patriarcado. Nos propomos a refletir sobre como essas estruturas viabilizam, por exemplo, ondas que ameaçam a vida, sobretudo, das mulheres e jovens pretos. O recorte do feminicídio é um grito, um clamor, assim como a defesa da vida e da dignidade das populações invisibilizadas”, afirma o assessor.
Padre Edinho explicou ainda, como está o processo de organização do novo projeto da Cepast-CNBB, que será aprofundado no Seminário.
“Temos as primeiras pistas de como podemos seguir este projeto embrionário, ainda sendo gestado. Mas o objetivo é que possa despertar para dentro das pastorais sociais o sentido de ressignificar-se, de construir pensamentos que ampliem os horizontes para acolher as perspectivas que as novas gerações podem trazer para as pastorais, fortalecendo um movimento de abertura para novas lideranças. Não queremos fazer um chamado qualquer, mas organizar um caminho que vá criando metodológica e estrategicamente um chamamento para o protagonismo das novas gerações”.
Avançar articulados
Os dois dias de seminário serão marcados por uma programação que contempla momentos de escuta, reflexão e alinhamentos pastorais. “As discussões pretendem provocar, se preciso, mudanças de posturas, de processos, de metodologias, de caminhos formativos. Nossa expectativa está muito nessa dimensão de um impacto gerador de novas perguntas, novas proposições, novas perspectivas que sejam provocativas, que nos ajudem a fazer autocrítica e avançar”, destaca Alessandra.