Por Juce Rocha | Cepast-CNBB
No dia dedicado ao padroeiro dos lares, São José, a Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora, a Pastoral da Moradia e Favela e o Setor de Campanhas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), convidam todas as comunidades católicas para uma iniciativa concreta, na perspectiva da Campanha da Fraternidade (CF) 2026.
Com a inspiração do tema “Fraternidade e Moradia” e do lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), o projeto “Cada paróquia, um mutirão por moradia” busca viabilizar a solidariedade, diante do grave cenário no qual cerca de 26 milhões de famílias brasileiras vivem em moradias precárias ou inadequadas, outras tantas pagam um aluguel que pesa no orçamento familiar, enfrentam despejos, enchentes e todo tipo de vulnerabilidade.
Diante dessa realidade, e em convergência com a Doutrina Social da Igreja, a iniciativa “Cada paróquia, um mutirão por moradia” propõe que cada comunidade paroquial se organize para reformar ou construir, ao menos, uma moradia em seu território ou nas proximidades da paróquia.
“A Campanha da Fraternidade no tempo da Quaresma abre espaço para que cada comunidade e paróquia se desperte para a necessidade de colocar em prática a missão do amor ao próximo. Com este despertar, cada paróquia é chamada também a formar a Pastoral da Moradia, envolvendo mais pessoas na solidariedade, nesta missão de estarmos atentos, sobretudo, às necessidades existentes nas periferias de nossas paróquias”, destaca o bispo da diocese de Registro (SP) e referencial para a Pastoral da Moradia e Favela, Dom Manoel Ferreira dos Santos Júnior.
Mobilização pastoral
Para o secretário-executivo de Campanhas da CNBB, Padre Jean Paul, a iniciativa é uma resposta missionária . “O que inspira esse projeto é o compromisso da Igreja no prosseguimento da missão de Jesus, para que todos tenham vida e a tenham em plenitude, e portanto, encontrem numa moradia adequada o espaço propício para o seu desenvolvimento humano integral”, afirma.
Padre Jean Paul destaca que a Igreja não vai resolver essa questão histórica no Brasil, mas por sua missão fundamental de proteger a vida, tem o compromisso de mobilizar as forças pastorais nesta direção. “A Igreja não vai resolver, com essa iniciativa ou com a Campanha da Fraternidade, a questão da moradia. Mas ela tem a capacidade de mobilizar a sociedade para que encontre soluções concretas para a do déficit habitacional do Brasil. E nada melhor do que o testemunho, do que a ação concreta, para despertar outros atores sociais nesta tarefa tão urgente”, propõe.
O coordenador nacional da Pastoral de Moradia e Favela, frei Marcelo Toyansk, enfatiza que o seguimento de Jesus Cristo, que também nasceu sem um teto, deve nos mover na direção da solidariedade a quem vive sem acesso à moradia.
“Somos um país com muitos recursos e muita riqueza, porém tudo isso é distribuído de forma muito desigual. Nesse sentido, somos provocados, como paróquia que celebra sempre a fé em Jesus Cristo, a encontrá-lo nos sem-teto, nos que moram em situações precárias nesse país”.