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Iphan reconhece Circo de Tradição Familiar como Patrimônio Cultural do Brasil

Pastoral dos Nômades celebra título como passo decisivo para combater o preconceito e garantir políticas públicas

 

Por Comunicação da Pastoral dos Nômades do Brasil

 

O reconhecimento do Circo de Tradição Familiar como Patrimônio Cultural do Brasil, anunciado nesta quarta-feira (11) pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), foi recebido pela Pastoral dos Nômades como um marco na defesa da identidade circense. Para a instituição, que atua na base junto às famílias itinerantes, a decisão do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural valida não apenas a arte, mas o modo de vida de milhares de brasileiros.
“Este registro é uma conquista de décadas. O circo de tradição familiar não é apenas espetáculo: é casa, trabalho e resistência”, afirma a Pastoral, destacando que a nova etapa deve focar na garantia de cidadania para os artistas que percorrem o país.
Após a chancela oficial do Conselho, em reunião realizada no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, a prática circense passa a integrar o Livro de Registro das Formas de Expressão. A medida reafirma a relevância da manifestação para a memória, a identidade e a formação cultural brasileira.
Presente em todo o território nacional, o circo de tradição familiar se caracteriza pela itinerância e pela organização nuclear. Em diversos casos, a arte já alcança a oitava geração de artistas, com técnicas e valores transmitidos oralmente de pais para filhos. Este patrimônio vivo é construído no cotidiano das estradas, onde cada apresentação carrega a memória coletiva de comunidades nômades.
Além do valor artístico, o circo desempenha um papel social estratégico. Em municípios de pequeno porte ou comunidades afastadas, as companhias itinerantes são, frequentemente, a única opção de acesso à cultura, cumprindo uma missão fundamental de democratização da arte no Brasil.
Foto: Visita da Pastoral dps Nômades ao circo.
Mobilização de duas décadas: desafios e salvaguarda
O processo para o reconhecimento nacional teve início em 2005, por iniciativa do Circo Zanchettini, do Paraná, sob a liderança de Wanda Cabral Zanchettin. Ao longo de duas décadas, famílias, pesquisadores e instituições mobilizaram-se para fundamentar o pedido. O inventário que embasou a decisão incluiu mais de cem entrevistas em todas as regiões do país, mapeando a diversidade e a riqueza da produção circense brasileira.
Entretanto, o reconhecimento também lança luz sobre os obstáculos históricos enfrentados pela categoria. O parecer técnico do Iphan ressalta que o pedido de registro sempre esteve associado à necessidade de condições mais adequadas para a continuidade dessa forma de expressão, combatendo entraves como:
  • Barreiras burocráticas para a instalação dos circos nos municípios;
  • Escassez de terrenos e áreas públicas adequadas;
  • Dificuldades de acesso a direitos e serviços públicos básicos;
  • Preconceito estrutural relacionado ao modo de vida itinerante.

Um novo tempo para o circo

A nova etapa, após o registro, foca na salvaguarda dessa tradição. O objetivo é que o poder público e a sociedade civil articulem políticas que garantam a dignidade e a continuidade das atividades das famílias circenses, preservando a arte que leva esperança e entretenimento aos rincões do Brasil.

Viva o circo. Viva o povo circense!

 

Edição: Cláudia Pereira|Cepast-CNBB

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