Com R$ 213,5 bilhões, seria possível quadruplicar orçamento da saúde da mulher, contratar 428 mil profissionais e implantar rastreamento de HPV em todo o país, aponta Jubileu Sul Brasil
Por Comunicação Jubileu Sul Brasil
Na saúde, o montante equivalente a 10% do gasto com juros da dívida pública (R$ 213,5 bilhões) em 2025 permitiria quadruplicar o orçamento anual de toda a saúde pública destinado a ações e serviços para mulheres, fortalecendo a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Mulheres (PNAISM). É o que aponta o levantamento feito pela Rede Jubileu Sul Brasil (JSB).
A análise escancara um debate incômodo: não falta dinheiro no orçamento público. Falta prioridade política para que os recursos públicos sejam gastos com quem mais precisa.
“Há um déficit grande de apoio à saúde, especialmente para as mulheres mais pobres e das periferias no acesso a serviços de saúde mental”, relata Maria Beatriz de Oliveira, articuladora do Jubileu Sul Brasil em Belo Horizonte (MG) da Rede Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Reprodutivos, entidade membro do JSB.
“Muitas têm filhos com algum tipo de deficiência, principalmente autismo, e é um desafio para elas ter condições econômicas e uma rede estruturada que garanta o acesso aos serviços especializados”, completa Beatriz.
A opção por fortalecer a PNAISM e as estruturas públicas do Sistema Único de Saúde está alinhada à defesa histórica do Jubileu Sul Brasil por um sistema de saúde público, gratuito e universal, que não transfira recursos públicos para a iniciativa privada – a exemplo do “Agora Tem Especialistas”, que permite que hospitais privados e filantrópicos com dívidas ativas com a União quitem ou reduzam seus débitos prestando serviços médicos no SUS, o que representa uma porta para privatização na visão do JSB.
Com R$ 213,5 bilhões, seria possível:
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Contratar 428 mil novos profissionais de saúde (médicas, enfermeiras, psicólogas e agentes comunitárias) para atuar na atenção primária;
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Construir 5.570 novas unidades básicas de saúde (UBS) equipadas com estrutura para atendimento ginecológico, pré-natal e planejamento reprodutivo;
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Implantar a estratégia de prevenção ao câncer de colo do útero com teste de biologia molecular DNA-HPV em todas as mulheres de 25 a 64 anos do país (52 milhões de mulheres).