O tempo presente parece marcado por uma profunda desconfiança em relação ao futuro. Cresce, em muitas partes do mundo, o discurso dos senhores da guerra, que procuram impor um modelo de sociedade no qual a paz e a convivência social seriam garantidas pela superioridade bélica. Por trás dessa lógica permanece o antigo e sempre repetido ditado: se queres a paz, prepara a guerra.

É essa mentalidade que acaba justificando os massacres na Faixa de Gaza, na Ucrânia, no Irã, no Líbano e em tantos outros conflitos que assolam este primeiro quarto do século XXI — aquilo que o Papa Francisco descreveu como uma verdadeira terceira guerra mundial em pedaços.

Mas não é apenas nas frentes militares que a guerra se manifesta. Existe também entre nós uma guerra mais silenciosa e muitas vezes quase imperceptível. Ela invade nossas cidades, nossos bairros, as relações familiares e o ambiente de trabalho. É alimentada pelas redes sociais e pelas falsas notícias que disseminam ódio, manipulam os fatos e constroem narrativas capazes de justificar agressões, violência e a normalização da truculência.

Esse ambiente acaba servindo para proteger uma economia que exclui e descarta os mais frágeis, sobretudo aqueles que habitam as periferias urbanas e existenciais. Em nome do bem-estar de poucos, multidões de inocentes são sacrificadas dentro de uma engrenagem que pune, esmaga e mata sem piedade. Os números dessas vítimas tornam-se estatísticas frias, enquanto muitas mães já não encontram lágrimas nem fôlego para chorar seus filhos.

Apesar desse cenário de fracasso e desalento, a história nunca deixa de gerar profetas. São homens e mulheres que continuam sonhando com uma humanidade mais fraterna e que fazem ressoar, mesmo em meio ao ruído das guerras, o apelo pela paz.

Eles recordam a boa notícia que ecoou no primeiro dia da semana: a pedra removida do túmulo abriu espaço para o jardim da nova criação. Ali brilha a luz do Filho do Homem que, vencendo os sinais da morte, proclama que a vida triunfou.

É esse anúncio que nos chama a deixar para trás o saudosismo estéril do passado e a assumir o compromisso de um presente capaz de inaugurar uma nova história: a civilização do amor. Um amor que chega primeiro, acredita, assume responsabilidades e se torna semente de uma nova humanidade e de um mundo novo.

 

Este artigo foi editorial da Rede de Notícias da Amazônia em 16 de abril de 2026.

 

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