O relançamento da campanha Amazoniza-te acontece em um tempo decisivo. Vivemos uma emergência climática que já não pode mais ser tratada como um alerta distante. Ela está presente na morte dos rios, no avanço do desmatamento, na violência contra os povos e comunidades tradicionais e na ameaça constante à vida de quem vive a floresta em seus territórios. Para nós, que vivemos e caminhamos com a Amazônia, esse momento exige responsabilidade, coragem e mobilização.
A Rede Eclesial Pan-Amazônica tem mais de dez anos de presença viva nos territórios. E essa presença não é simbólica. É uma presença de escuta, de articulação, de fortalecimento das lutas e de construção conjunta de estratégias com os povos da Amazônia. Estamos com agricultores, pescadores, ribeirinhos, quebradeiras de coco, mulheres indígenas, mulheres quilombolas, juventudes e tantas outras comunidades que sustentam a vida em seus territórios, mesmo diante de múltiplas violências.
Por isso, quando falamos em Amazoniza-te, não estamos falando apenas de uma campanha. Estamos falando de um processo de sensibilização, mobilização e corresponsabilidade. Estamos afirmando que a Amazônia não é apenas floresta, não é apenas paisagem, não é apenas um tema ambiental. A Amazônia tem povos, culturas, modos de vida, espiritualidades, memórias e direitos. E tudo isso precisa estar no centro do debate público.
Nossa missão tem sido justamente essa: conectar, fortalecer e dar visibilidade às lutas dos povos amazônicos. Fazer com que a sociedade compreenda que defender a Amazônia é defender a vida. É defender os rios, as florestas, os territórios e, sobretudo, as pessoas que há séculos cuidam da Casa Comum.
Esse processo de mobilização não nasce de forma isolada. Ele já está em curso e vem sendo construído com os próprios territórios. Realizamos escutas com juventudes e com mulheres amazônicas, especialmente em contextos de extrema vulnerabilidade, onde a vida está ameaçada pela violência, pela exclusão e pela devastação socioambiental. É a partir dessas escutas que vamos construindo caminhos, estratégias e materiais. Não se trata de falar pelos territórios, mas de falar com eles e a partir deles.
As ações previstas envolvem rodas de conversa, encontros formativos, materiais educativos, vídeos, ações nas redes sociais e articulações públicas. Também queremos ampliar o diálogo com parceiros institucionais, como Ministério Público, Defensoria Pública, tribunais eleitorais, pastorais, organismos da Igreja, movimentos sociais e sociedade civil. A mobilização precisa ser ampla, conectada e comprometida com a realidade concreta dos povos.
Nesse sentido, a campanha Eu Voto pela Amazônia também se integra a esse processo. Ela não está separada da Amazoniza-te. Ao contrário: ambas fazem parte de um mesmo esforço de incidência, formação e compromisso público em defesa da Amazônia e de seus povos. São processos de diálogo e ação que se fortalecem mutuamente, porque compreendem que a defesa da vida também passa pela participação cidadã, pelo debate público e pela responsabilidade política.
Amazonizar o Brasil é chamar a sociedade para essa corresponsabilidade. É lembrar que a crise climática não será enfrentada sem justiça socioambiental. É reconhecer que não haverá futuro possível enquanto continuarem a destruir os territórios e silenciar os defensores e defensoras de direitos humanos. A morte dos povos da floresta, a contaminação das águas, a expulsão das comunidades e a destruição dos modos de vida tradicionais não podem ser naturalizadas.
Por isso, o relançamento da campanha Amazoniza-te nos convoca a um compromisso coletivo. Um compromisso com a vida, com a escuta, com a mobilização e com a visibilidade das lutas que acontecem cotidianamente nos territórios amazônicos. Nós, da REPAM, seguimos colocando nossa presença, nossa articulação e nossa esperança a serviço dessa caminhada.
Amazonizar-se é deixar-se tocar pela realidade da Amazônia. É compreender que a defesa da floresta está profundamente ligada à defesa dos povos. É sair da indiferença e assumir, juntos, a tarefa de proteger a vida.
Venham conosco. Amazonizar-se é um chamado urgente do nosso tempo.