Por Cláudia Pereira | Cepast-CNBB
O trabalho escravo rural e urbano, tipificado no Código Penal brasileiro como crime e uma das modalidades do tráfico de pessoas, registrou mais um aumento no país em 2025. Ocorrendo mediante violência, coação, fraude ou abuso para submeter a vítima a condições degradantes, essa exploração vitimou 1.991 trabalhadores no meio rural, um crescimento de 5% em relação a 2024, segundo o relatório “Conflitos no Campo Brasil 2025”, da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Nas cidades, o salto foi ainda mais expressivo: 1.007 pessoas foram resgatadas em 122 casos registrados pela Campanha “De Olho Aberto para não Virar Escravo”, representando uma alta de 60,1%.
O estado de Mato Grosso concentrou o maior número total de vítimas, com 606 pessoas resgatadas. Apenas na obra de construção de uma usina de etanol em Porto Alegre do Norte (MT), 586 trabalhadores foram encontrados em condições análogas à escravidão. Aliciados nas regiões Norte e Nordeste, eles enfrentavam alojamentos superlotados e precários, má alimentação e ausência frequente de água e energia, situação que veio à tona após um incêndio no local. Já Minas Gerais segue pelo segundo ano consecutivo como o estado com o maior número de ocorrências (35 casos), somando 303 resgates. Na sequência estadual, aparecem Goiás (220), Bahia (171), São Paulo (142) e Maranhão (135).
O estado de Mato Grosso concentrou o maior número total de vítimas em 2025. Apenas na obra de construção de uma usina de etanol em Porto Alegre do Norte (MT), 586 trabalhadores foram encontrados em condições análogas à escravidão. Aliciados nas regiões Norte e Nordeste, eles enfrentavam alojamentos superlotados e precários, má alimentação e ausência frequente de água e energia, situação que veio à tona após um incêndio no local.
- Mato Grosso: 606 pessoas resgatadas.
- Minas Gerais: 303 pessoas resgatadas, destacando-se por mais um ano como o estado com o maior número de ocorrências, totalizando 35 registros.
- Goiás: 220 pessoas resgatadas.
- Bahia: 171 pessoas resgatadas.
- São Paulo: 142 pessoas resgatadas.
- Maranhão: 135 pessoas resgatadas.

Atualização da “Lista Suja” e setores críticos
Historicamente, setores como lavouras e pecuária concentram os maiores índices de exploração, mas as estatísticas de 2025 também revelam realidades regionais distintas. No Sudeste, as lavouras de café registraram 236 resgates, enquanto no Nordeste a mineração liderou com 144 casos. De acordo com a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), obras de alvenaria e a administração pública em geral também figuram entre as áreas com mais vítimas.
Refletindo a persistência dessas violações, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) publicou, no mês passado, a atualização do Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão, a conhecida “Lista Suja”. A lista atualizada inclui 169 empregadores, sendo 102 pessoas físicas e 67 pessoas jurídicas, um aumento de 6,28% em relação à atualização anterior. Com essa adição, o cadastro passa a conter um total de 613 empregadores. As atividades com maior número de inclusões nesta edição foram: serviços domésticos (23); criação de bovinos para corte (18); cultivo de café (12); construção de edifícios (10); e serviço de preparação de terreno, cultivo e colheita (6). No total, os novos casos incluídos no cadastro resultaram no resgate de 2.247 trabalhadores em situações de exploração e de trabalho análogo à escravidão. É importante ressaltar que o nome de cada empregador permanece publicado pelo período de dois anos, razão pela qual, nesta atualização, foram excluídos 225 nomes que completaram esse tempo de publicação.
Para o agente da CPT, Francisco Alan Santos, os números exigem uma leitura contextualizada e qualitativa. Ele explica que o aumento de 60% no meio urbano foi fortemente impulsionado por casos excepcionais, como o resgate de 303 ambulantes a serviço da Ambev durante um festival em Salvador, além da proporção crescente de resgates no ambiente doméstico.
“De forma geral, o crescimento de dados relacionados ao trabalho escravo ‘urbano’ é coerente com a ampliação constante da fiscalização para atividades que no passado não sofriam tanta inspeção. Paralelamente, o déficit de fiscalização em áreas rurais remotas, especialmente na Amazônia, contribui para uma subnotificação e até mesmo para uma invisibilização do trabalho escravo rural”, avalia Francisco Alan.
O enfrentamento a essa violência exige o engajamento de toda a sociedade. Fazer a denúncia contribui no combate e ajuda a mapear as regiões de risco. Mesmo baseadas apenas em suspeitas, as ocorrências podem ser relatadas de forma segura por meio do Disque 100, do Disque Denúncia 181 ou pela plataforma digital oficial do Sistema Ipê. Além dos canais governamentais, é possível buscar ajuda e solicitar orientações junto às organizações ligadas à Igreja Católica.
