Cláudia Pereira | Cepast-CNBB
*com informações da ONU NEWS
O Relatório Global de Florestas de 2026, divulgado pela ONU na abertura do Fórum sobre Florestas, revela um cenário de contrastes para o meio ambiente. Enquanto a área florestal mundial diminuiu em mais de 40 milhões de hectares entre 2015 e 2025, o Brasil teve avanços significativos na gestão de seus ativos verdes, expandindo áreas sob manejo e liderando novas frentes de financiamento internacional.
Segundo o documento, o Brasil, que detém 12% das áreas verdes do planeta, conseguiu ampliar o manejo sustentável em territórios sob concessões federais. Entre 2020 e 2025, essa área saltou de 1,05 para 1,59 milhão de hectares. Coordenada pelo Serviço Florestal Brasileiro em parceria com o Instituto Chico Mendes (ICMBio), a iniciativa gerou:
- Mais de 2,15 milhões de metros cúbicos de madeira com rastreabilidade total.
- Receitas de aproximadamente US$ 41,6 milhões (cerca de R$ 217 milhões).
- Benefícios diretos para a conservação da biodiversidade e comunidades locais.
Déficit de financiamento global, crime organizado e direitos indígenas
Apesar dos progressos pontuais, o relatório faz um alerta crítico sobre a economia florestal. O financiamento para a gestão sustentável permanece muito abaixo do necessário: em 2023, os recursos alcançaram US$ 84 bilhões, enquanto a meta estimada para 2030 é de US$ 300 bilhões anuais.
Para enfrentar essa lacuna, o Brasil lidera o fundo “Florestas Tropicais para Sempre” (TFF), lançado no contexto da COP30. Com a meta de captar US$ 125 bilhões, o mecanismo visa oferecer financiamento previsível por décadas e pode apoiar a proteção de mais de 1 bilhão de hectares em 70 países em desenvolvimento.
A preservação ainda enfrenta obstáculos estruturais severos. A ONU destaca que o crime organizado, a corrupção e a governança frágil continuam impulsionando o desmatamento ilegal, especialmente na América do Sul e África.
Outro ponto de atenção é a participação de povos indígenas e comunidades locais. Embora existam avanços na inclusão dessas perspectivas, o relatório aponta que a participação na tomada de decisão ainda é, muitas vezes, limitada ou simbólica, carecendo de influência decisória real.

O documento conclui que a integração das florestas nos planos de desenvolvimento e o fortalecimento da fiscalização contra atividades ilegais são essenciais para que as metas de sustentabilidade de 2030 sejam atingidas.