• Home
  • >
  • Comunidade Quilombola denuncia manobra de vereador para retirar escola do território no MA

Comunidade Quilombola denuncia manobra de vereador para retirar escola do território no MA

Escola da Comunidade quilombola Santa Maria dos Moreiras - Foto: Acervo da Comunidade
Movimento repudia transferência de escola para terras de fazenda particular e aponta uso da educação como moeda de troca política em Codó

 

Por Cláudia Pereira | Cepast-CNBB

 

O Movimento Quilombola do Maranhão (MOQUIBOM) emitiu uma nota de repúdio contra a Indicação Nº 87/2026, de autoria do vereador Araújo Neto (PP). A proposta sugere a transferência da Escola Municipal Sebastiana Moreiras do Território Quilombola Santa Maria dos Moreiras para uma área que não reflete a cultura local. A organização classifica a medida como uma “grave afronta” aos direitos territoriais, à autonomia comunitária e à educação quilombola.

De acordo com moradores, a articulação política ignora as necessidades da população local. “O prefeito, que se diz dono da terra, quer transferir a escola para um lugar que não mora ninguém, alegando falta de verba para reforma, mas tem verba para construir? isso é para manter o controle e evitar pressão da comunidade”, afirmou um integrante da comunidade, ressaltando que o vereador não realizou consultas prévias com a comunidade.

A proposta do Poder Executivo Municipal prevê que a nova unidade escolar seja construída em terras da fazenda FC Agropecuária. A denúncia aponta que a propriedade está ligada ao atual prefeito de Codó, que também é proprietário da empresa FC Oliveira e detentor de vasta extensão de terras no município.

Para o MOQUIBOM, o uso de recursos públicos para beneficiar interesses privados é inadmissível, especialmente quando compromete direitos históricos. A Escola Polo Bom Jesus atende a região há mais de 30 anos, sendo considerada um patrimônio coletivo da luta quilombola. “A escola existe no local desde 1992 e não aceitaremos sua transferência para beneficiar interesses políticos”, reforçou outra liderança comunitária.

 

Justificativa ambiental contestada e controle político

 A prefeitura fundamentou a mudança na suposta existência de uma “área de reserva ambiental” no território atual. No entanto, o movimento rebate o argumento, afirmando que a comunidade presencia, há décadas, o avanço do desmatamento na região sem intervenção semelhante. Para o MOQUIBOM, o discurso ambientalista está sendo utilizado de forma conveniente para legitimar decisões que ameaçam a organização quilombola.

Além da questão fundiária, a nota denuncia uma estratégia de controle político que persiste há cerca de quatro anos. Entre as irregularidades apontadas pelo movimento estão:

  • Afastamento do controle social: Tentativas reiteradas de retirar a gestão da escola das mãos das lideranças quilombolas.
  • Uso eleitoreiro: Instrumentalização da unidade escolar para garantir empregabilidade a “cabos eleitorais” da região.
  • Práticas clientelistas: O quadro de funcionários atual demonstraria a permanência de indicações políticas sucessivas, em vez de uma gestão democrática.

Em posicionamento oficial datado de 14 de maio de 2026, a comunidade de Santa Maria dos Moreiras reafirmou que resistirá à transferência. “Não aceitaremos que o acesso à educação seja utilizado como moeda de troca política ou instrumento de expansão latifundiária”, conclui o documento.

ACESSE E LEIA A NOTA NA ÍNTEGRA

Foto: Acervo da Comunidade

Tags:

Veja mais

Relatório da ONU mostra queda de 40 milhões de hectares na cobertura vegetal global em dez anos; Brasil amplia concessões federais para 1,59 milhão
Subsídio oferece reflexão e dados para sensibilizar a sociedade a romper o silêncio e a indiferença diante da violência sexual contra a infância
Movimento repudia transferência de escola para terras de fazenda particular e aponta uso da educação como moeda de troca política em Codó