Diocese se opõe à liberação de agrotóxicos por drones

Diocese de Limoeiro do Norte alerta para os riscos da flexibilização da política ambiental e em nota convida a sociedade cearense a se engajar na defesa do meio ambiente e da saúde pública

 

*Folha do Vale

 

A Diocese de Limoeiro do Norte manifestou sua preocupação com a tramitação acelerada de um projeto de lei que autoriza a pulverização aérea de agrotóxicos por drones no Ceará. O projeto, que enfraquece a Lei Zé Maria do Tomé – legislação estadual que proíbe essa prática e já foi declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal – é visto como uma ameaça à saúde pública e ao meio ambiente, especialmente na Chapada do Apodi.
A Diocese alerta que a liberação da pulverização aérea de agrotóxicos coloca em risco a vida da população que está em situação já crítica. Pesquisas de instituições como Universidade Federal do Ceará (UFC) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), apontam que a prática está associada ao aumento de casos de câncer, abortos e malformações fetais, além de danos irreversíveis ao meio ambiente. Em nota Diocese destaca os riscos sociais envolvidos, como o uso de agrotóxicos em conflitos fundiários. Há relatos em outros estados, como o Maranhão, de que essa prática foi utilizada como arma química contra populações tradicionais.
É preciso que as comunidades locais e os especialistas sejam ouvidos antes de qualquer decisão, garantindo um debate transparente e ético“, afirma o texto, que cita ainda as diretrizes da Encíclica Laudato Si do Papa Francisco.
O Bispo de Limoeiro do Norte, Dom André Vital Félix, faz um apelo ao governador Elmano de Freitas e à Assembleia Legislativa do Ceará para que priorizem a vida e o meio ambiente. Segundo a Diocese, o projeto não beneficia a população como um todo, mas sim setores restritos que lucram com o uso intensivo de agrotóxicos, ignorando os impactos sobre a saúde coletiva e o ecossistema.
A nota também lembra o compromisso da Campanha da Fraternidade 2025, que destaca a ecologia integral como princípio ético. “Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31), lema da campanha, serve como um chamado à responsabilidade de cuidar da Casa Comum e preservar a dignidade da vida em todas as suas formas.
Com essa manifestação, a Diocese de Limoeiro do Norte reafirma sua posição firme contra a flexibilização de políticas ambientais e convida a sociedade cearense a se engajar na defesa do meio ambiente e da saúde pública.

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*Texto publicado originalmente no site Folha do Vale

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