Diante da omissão do poder público, povos e comunidades tradicionais organizam corte simbólica para expor décadas de violência, grilagem e perseguição em territórios do estado do Maranhão
Entre os dias 5 e 7 de maio, São Luís (MA) sediará o “Tribunal dos Povos do Maranhão contra o ecogenocídio do MATOPIBA: em defesa da vida e dos territórios”. O tribunal tem como objetivo julgar, de forma simbólica e coletiva, denúncias de crimes socioambientais praticados contra comunidades tradicionais na fronteira de expansão agrícola que abrange os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
A iniciativa é uma construção autônoma de quilombolas, camponeses e quebradeiras de coco, organizada em parceria com a Comissão Pastoral da Terra (CPT Maranhão), o Movimento Quilombola do Maranhão (MOQUIBOM) e diversas entidades nacionais e internacionais. A mobilização surge como resposta direta à morosidade e à omissão dos órgãos públicos em apurar violações recorrentes. Nesse contexto, o processo coletivo é uma forte ferramenta para dar maior visibilidade a denúncias que, muitas vezes, não encontram eco nas instituições oficiais.
Embora não esteja inserido no sistema formal de justiça e suas sentenças não tenham poder de sanção legal, o tribunal popular possui um forte caráter político e social. Ao expor casos reais de violência, a corte busca pressionar as autoridades para que as denúncias sejam devidamente investigadas e punidas. Além disso, a ação pretende garantir justiça simbólica aos povos ameaçados, reforçando a urgência do respeito aos direitos humanos e à integridade da natureza, a construção do bem viver dos povos do campo, das florestas e das águas do estado do Maranhão.
