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Colunistas, Irmã Eurides Alves de Oliveira
imagem: portal A12

 

“Gosto de pensar na Igreja como o povo fiel de Deus (…), um povo convocado e chamado com a força das bem-aventuranças
(Papa Francisco)

 

Após a primeira sessão da Assembleia do Sínodo sobre a Sinodalidade realizada em Roma nos dias 04 a 29 de outubro de 2023, somos convocadas e convocados a seguir na trilha da sinodalidade, desencadeando um processo de comunhão, missão e participação em todos os espaços eclesiais.

 

 

O Documento síntese, fruto das reflexões desta primeira Assembleia, nos convida ao alargamento da compreensão e da práxis da sinodalidade, o que implica em: ampliar os processos de escuta ativa de todos e todas como sujeitos eclesiais e assumir a sinodalidade como “dimensão constitutiva da Igreja, povo de Deus” na qual todos os batizados e batizadas, em comum dignidade, devem se envolver na construção efetiva de uma igreja sinodal, pautada na eclesiologia do Concilio Vaticano II. Eclesiologia que nos últimos dez anos, após uma longa ‘estação de inverno’, o pontificado do Papa Francisco busca primaverizar como um modo de toda igreja ser, a “igreja povo de Deus”. Uma Igreja que articula comunhão, missão e participação.

 

A conclusão do sínodo em curso acontecerá em outubro de 2024, em Roma com a realização da segunda Assembleia Sinodal, na qual acreditamos que com o protagonismo da Divina Ruah e a efetiva participação de todo o povo de Deus, se delibere processos verdadeiramente sinodais para toda a Igreja. Esta tarefa agora está nas mãos das igrejas locais, e requer das mesmas em todas as suas instâncias, um amplo mutirão sinodal; e ainda, para além das resistências, narrativas contrárias e limites do processo na atual conjuntura eclesial, que se intensifique um amplo trabalho de divulgação e reflexão do documento síntese que aponta as trilhas para a continuidade dos processos sinodais em curso.

 

Urge uma retomada coletiva do caminhar juntos e juntas ampliando os processos de escutas e envolvimento de todas e todos, pois só assim a proposta sinodal atingirá seu objetivo, de reconfigurar a Igreja como povo fiel de Deus, como redes de comunidades (redes de CEBs), toda ministerial, ecumênica e profética. Uma igreja onde todas as pessoas batizadas sejam reconhecidas e valorizadas em sua dignidade comum de filhas e filhos de Deus, sujeitos eclesiais.

 

A celebração do Natal e a aurora de um Novo Ano, sempre fazem emergir em nós bons desejos e propósitos. Assim, creio que a contemplação em perspectiva sinodal do Mistério da Encarnação de Jesus, que arma sua tenda e faz morada em nossos corações e espaços de presença missionaria, possa acender a luz da fé e do esperançar confiante de que uma igreja sinodal é possível; ativar nossas reservas humanas e espirituais e revitalizar nossas energias e disposições para uma igreja em saída, percorrendo as trilhas que nos conduzam à vivencia da sinodalidade, da escuta, da participação, do discernimento comunitário e da construção coletiva de processos. A Criança de Belém quer ser acolhida nas cirandas sinodais de nossas comunidades, grupos, pastorais e organismos, como uma boa notícia para todo o povo, anunciando o Jubileu da Esperança que a Igreja propõe, como a porta de entrada de uma Igreja toda sinodal.

 

A celebração do nascimento de Jesus, o Deus dos pequenos, nos recorda que o Reino de Deus se concretiza nas boas práticas das comunidades. Quiçá a celebração do Natal deste ano nos faça manter vivo o dinamismo sinodal, assumindo prioritariamente para o ano de 2024, a divulgação, a promoção e a realização de boas práticas sinodais, que mantenham aquecido o ânimo de nossas Igrejas particulares e nossas comunidades na direção de uma Igreja sinodal em missão.
Sem a pretensão de oferecer um receituário, compartilho algumas intuições e indicativos, que apresentei no Encontro Nacional dos assessores/as das CEBs realizado em Brasília no mês de novembro2023, como um possível itinerário de boas práticas sinodais, para que desde nossas comunidades possamos trilhar caminhos de sinodalidade no ano de 2024.

 

  1. Acreditar: Fazer uma profissão de fé na sinodalidade como ação do Espírito de Deus para nossa Igreja neste momento histórico, tendo na sinodalidade um caminho de espiritualidade e mística. Para isso é importante não se deixar render pelo pessimismo, mas sermos realistas e esperançosas/os.
  2. Priorizar: Tornar a sinodalidade o tema do ano, a prioridade das prioridades em nossas vivencias. É necessário massificar o tema, romper as barreiras, o medo, a timidez, e falar amplamente sobre o assunto em todos os espaços possíveis; torná-lo conteúdo de nossas conversas familiares e comunitárias, conteúdo de nossas orações, reflexões e ações diversas.
  3. Aprofundar o assunto: Estudar e divulgar conhecimento sobre o tema para evitar o esvaziamento do conteúdo e da proposta. Existem varias produções sobre o assunto neste portal, no IHU e em outros sites, além de bons livros e revistas que têem pautado o tema. É importante tomar nas mãos estes conteúdos, ler e refletir, dialogar e repassá-los às pessoas de nossas comunidades.
  4. Produzir conhecimento mais amplo sobre os temas e divulgá-los nos espaços de nossas vivências.
  5. Realizar experiências sinodais a partir do pequeno, dos territórios, dos nossos engajamentos – grupos, comunidades, serviços: experiências de escuta, de mutirões, de cooperação, de discernimento e decisões coletivas, de ministérios…
  6. Divulgar as experiencias concretas que estão acontecendo em nossas Igrejas locais – fazer um mutirão de divulgação das práticas positivas existentes, pois só assim conseguiremos superar as falsas narrativas sobre o sínodo.
  7. Organizar e desenvolver de forma planejada, processos formativos para as lideranças e comunidades.
  8. Envolver-se nas iniciativas locais, conselhos, assembléias e demais espaços de comunhão, participação e ali desenvolver processos formativos. Dar atenção preferencial aos pobres e aos jovens nas iniciativas.
  9. Comunicar: Usar com criatividade os MCS, as mídias com narrativas positivas sobre o sínodo – Cards, pequenos vídeos, podcast, programas de rádio, cartazes com frases, murais das comunidades e paróquias, replicar o programa Igreja sinodal e outras…
  10. Não deixar cair a Profecia: Não ter medo de abordar os temas mais complexos, de colocar o dedo nas feridas que também estão presentes nos processos, como o tema do clericalismo, dos abusos de poder, do patriarcalismo, da sub cidadania eclesial das mulheres, da invisibilidade das CEBs e outros. Tendo sempre o cuidado de fazê-lo com estratégia, com caridade criativa, mas com firmeza, pois estes assuntos precisam ser colocados na mesa de diálogo.
Que o Natal de Jesus, seja para todas e todos nós um impulso para assumirmos a sinodalidade como um estilo de vida. Feliz Natal e abençoado Ano Novo!

 

                                                                                        Irmã Eurides Alves de Oliveira, ICM

 

*Texto publicado originalmente no Portal das CEBs

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