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O que aconteceu nestes dias no parlamento brasileiro, antes na Câmara dos Deputados e depois no Senado é um autêntico golpe contra os povos indígenas e indiretamente, ou mesmo diretamente, pelos afrodescendentes que também estão lutando para o reconhecimento de seu espaço, que não é simplesmente físico, mas diria que mesmo passando pela questão da terra alcança o mais profundo amago de sua existência e transcendência.
Talvez não nos demos conta disso, mas a questão do marco temporal que, é além de inconstitucional, desumana e mercantil, tem a mesma gravidade da questão do aborto ou da pena de morte porque toca diretamente os pressupostos que sustentam a vida, a existência e o sentido mais profundo do ser e do existir de povos e culturas milenárias, onde o sagrado constitui holisticamente o ser e o viver dos povos indígenas, dos ribeirinhos, dos afrodescendentes e de tantas outras expressões culturais e místicas que são parte da Casa Comum, não como privilégio de alguns, mas como parte da ecologia integral.
Como este ato irresponsável e covarde, negação da democracia, do poder de decisão do povo, demonstra-se claramente que, o que se obstinam a chamar o parlamento “casa do povo”, são na realidade o poder oligárquico, nepotista, oportunista, uma das inúmeras fações que disputam o poder amparados numa falsa legalidade, e alicerçados na violência estrutural dum Estado legalista e punitivista, mas bem longe de ser democrático, cidadão, pluriétnico e pluricultural.
O novo presidente do Supremo Tribunal Federal no discurso de posse afirmou que várias causas e, entre elas cita a preservação das comunidades indígenas, não são causas progressistas, mas causas da humanidade, do respeito e consideração de todas as pessoas, porque conclui ele, poucas derrotas do espirito são mais tristes do que alguém se achar melhor que os outros.
E como não pensarmos que o marco temporal deveria ser colocado à nossa sociedade consumista, tecnocrática, dado que, não só violamos e violentamos há mais de quinhentos anos os primeiros habitantes deste nosso país, mas o continuamos fazendo manipulando e rasgando diariamente nossa carta magna, quando em lugar de trabalhar a política, mesmo usando a religião alimentamos e engordamos os currais eleitoreiros esquecendo como nação o bem viver dos povos e de seus cidadãos e cidadãs.
Oxalá que este golpe constitucional seja mais uma vez derrotado pela força, a teimosia e a persistência da sabedoria cultural e ancestral dos povos indígenas e daqueles e daqueles que com eles e junto com eles lutamos sonhando uma terra sem males.

 

*Padre Gianfranco Graziola é assessor teológico da Pastoral Carcerária Nacional

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