Há momentos na história em que parece que a humanidade experimenta uma espécie de fracasso coletivo. O tempo presente traz sinais dessa crise profunda — social, política e civilizatória — que coloca em dúvida nossa capacidade de construir um futuro comum. Diante disso, talvez seja necessário redescobrir uma dose suplementar de esperança para continuar acreditando que o presente ainda pode gerar um amanhã marcado pela fraternidade, pela amizade social, pelo diálogo e pelo bem viver para toda a criação.

Mesmo diante das maiores atrocidades de que o ser humano é capaz, algo permanece vivo no interior de cada pessoa e da própria humanidade. Existe uma chama que não se apaga. Por menor que seja a fresta de luz, ela continua iluminando o coração humano e recordando que a vida é mais forte que qualquer projeto de destruição.

É nesse horizonte que os cristãos celebram a Páscoa: a passagem da morte para a vida. Essa experiência, presente também em muitas tradições culturais e espirituais da humanidade, expressa os chamados ritos de passagem — momentos em que o velho se desfaz para dar lugar ao novo. Mesmo em tempos em que a economia da guerra se fortalece, em que o poder se impõe sem limites e em que o aniquilamento de povos é apresentado como troféu, permanece a convicção de que a história não pode ser reduzida à lógica da violência.

A pergunta que ecoa no coração da humanidade é inevitável: até onde queremos chegar? Vivemos uma grande crise global, já apontada por Papa Francisco e hoje também denunciada com insistência por Papa Leão XIV. Uma crise marcada pela surdez ao diálogo e pela incapacidade de construir caminhos de negociação, enquanto narrativas de vitimização alimentam ciclos de violência pessoal, social e institucional.

No entanto, a história nunca avança apenas pelas engrenagens do poder. Ela também é movida pela palavra e pela ação dos profetas — homens e mulheres que não se calam e que continuam apontando horizontes quando tudo parece mergulhar na apatia.

Eles nos convidam a recordar o sonho iniciado por um jovem de Nazaré, vindo das periferias humanas e existenciais, que transformou sua vida em um hino à vida. Um anúncio que continua atravessando a história e que afirma que nenhum túmulo é definitivo e que nenhuma pedra é pesada demais quando a vida decide ressurgir.

A Páscoa permanece, assim, como sinal de que a esperança não é ingenuidade. É a força que continua abrindo caminhos de humanidade e fraternidade mesmo em meio às sombras do nosso tempo. Boa noite.

Este artigo foi editorial da Rede de Notícias da Amazônia em 09 de abril de 2026.

Tags:

Autores

Relacionados