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Cepast-CNBB apresenta projeto para renovar lideranças e rejuvenescer pastorais sociais

Iniciativa "Novas Vocações para a Missão" foi detalhada durante a 62ª Assembleia Geral dos Bispos; foco está no engajamento da juventude e na dimensão socioambiental da fé

 Por Cláudia Pereira | Cepast-CNBB

 

No último dia 20, a Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora (Cepast-CNBB) aproveitou a 62ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, em Aparecida (SP), para apresentar o projeto “Novas Vocações para a Missão”. A iniciativa busca despertar novas lideranças, com objetivo especial na juventude, para a dimensão socioambiental da fé. A animação vocacional do projeto visa engajar jovens e outras lideranças por meio de uma linguagem contemporânea.

 

A ideia central é formar agentes capazes de realizar uma leitura crítica da realidade, transcendendo uma visão meramente promocional da espiritualidade em direção a uma prática profética e de autocuidado. Em reunião com a presidência e bispos referenciais da Comissão, os assessores da Cepast detalharam a proposta, que é fruto de um processo participativo construído em rodas de conversa e fóruns que ouviram realidades locais de todo o país. Durante o encontro, que reuniu mais de 30 bispos e alguns leigos representantes de pastorais, o foco central foi a urgência de rejuvenescer as pastorais sociais e os organismos da Igreja.

 

Para a assessoria da Cepast, a recepção do episcopado foi marcada por um diálogo construtivo. Embora o projeto não tenha passado por uma apresentação oficial em plenária, a estratégia da Comissão aposta na disseminação orgânica: “plantar a semente” para que a proposta ganhe força nos regionais e dioceses.  Para dom José Valdeci Mendes Santos, presidente da Cepast e bispo de Brejo (MA), o momento foi oportuno para fortalecer o protagonismo das vocacões especialmente a juvenil.

“Com o foco nos jovens  a nossa proposta é renovar nossas lideranças, o que é essencial para nossa caminhada. Esse testemunho de profetismo e fidelidade ao Evangelho nos motiva a seguir na construção de um mundo mais justo e fraterno”, declarou.

 

A Comissão aposta na disseminação orgânica: plantar a semente para que a proposta se espalhe e ganhe força nos regionais e dioceses de todo o Brasil. Foto: Cláudia Pereira

Ferramentas para mobilização

A Comissão está desenvolvendo materiais didáticos adaptados para o público jovem, incluindo livros e informativos acessíveis. O plano de comunicação abrange campanhas em redes sociais, TVs e rádios católicas, além da produção de vídeos com testemunhos de fé e da caminhada das pastorais. Também estão previstos cadernos e roteiros de retiro que unifiquem metodologias e informem sobre as ações do projeto.

A proposta organiza um movimento nacional articulado entre bispos, assessores e representantes regionais, priorizando a escuta de realidades específicas, como a Amazônia. A intenção é consolidar a atuação integrada das pastorais em temas como mobilidade humana e questões transversais — a exemplo da Pastoral Afro, que atua tanto nos centros urbanos quanto em comunidades ribeirinhas e quilombolas. Como a iniciativa ainda está em processo de construção, novos diálogos e parcerias continuam sendo estabelecidos, mantendo caminhos abertos para atrair novos atores e reencantar o caminho da missão.

 

O ressoar dos participantes e os caminhos para o futuro

Durante as discussões, os bispos ressaltaram a importância de integrar o projeto à iniciação à vida cristã, preparando os novos fiéis para os desafios sociais contemporâneos. Dom Zanoni Demettino Castro, arcebispo de Feira de Santana (BA), classificou a proposta como valiosa por unir a ação pastoral à dimensão social.

“Creio que, com nossos passos e compreensões, possamos atingir a transversalidade e não deixar apenas com os grupos tradicionais a riqueza que temos na Igreja”, pontuou.

 

Já dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, bispo da diocese de Santos (SP), destacou a necessidade de compreender as características da Geração Z. Para ele, é preciso promover a liberdade e a transformação social diante de desafios como a dependência tecnológica. “Precisamos aprofundar o conhecimento sobre as juventudes contemporâneas para melhorar nossa abordagem e engajamento com elas”, afirmou.

De acordo com a assessoria, os três eixos centrais da proposta — encantamento e acolhimento; processos formativos; e mobilização para a missão — foram bem recebidos. “São caminhos para realizar um rejuvenescimento das pastorais e dos organismos, fortalecendo a Igreja como corpo vivo em todo o Brasil”, ressaltou o padre Edinho Thomassim, assessor da Cepast.

Alessandra Miranda, assessora da Cepast, finalizou com um tom de esperança. “Desejamos que os territórios coloquem em prática essa energia. Uma ação nacional só faz sentido se os regionais, paróquias e dioceses estiverem articulados. Esperamos que todos tenham saído animados para concretizar esse ‘esperançar’ em suas realidades locais.”

 

A iniciativa busca despertar novas lideranças, com foco especial na juventude, para a dimensão socioambiental da fé. Foto: Cláudia Pereira

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